Taiwan testa munições anti-aéreas de baixo custo para interceptar mísseis
Taipé - Taiwan vai testar munições anti-aéreas de baixo custo com capacidade para interceptar mísseis de longo alcance, face ao receio de que a China possa utilizar armas baratas em grande quantidade, informaram hoje fontes oficiais.
Durante uma audição no Parlamento local, citada pela agência taiwanesa CNA, o presidente do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan (NCSIST), tenente-general Lee Shih-chiang, afirmou que os testes deste tipo de munições, que serão desenvolvidas pelo próprio organismo, devem estar prontos no próximo ano.
O responsável falava perante a Comissão de Assuntos Externos e Defesa Nacional do parlamento, que organizou hoje uma sessão sobre a eficácia dos sistemas antiaéreos e antimísseis de Taiwan, tendo como referência o actual conflito no Médio Oriente.
Num relatório enviado ao Parlamento antes da reunião e citado também pela CNA, o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan indicou que a ilha irá desenvolver e adquirir, com base em tecnologia de mísseis já existente, armas antiaéreas de baixo custo capazes de interceptar foguetes de longo alcance.
Segundo o ministério, o objectivo é estabelecer "capacidades defensivas adequadas, garantir a resiliência das operações de defesa e salvaguardar a vida e os bens da população".
Na mesma sessão, o tenente-general Lien Chih-wei, subchefe do Estado-Maior para operações e planeamento, recordou que Taiwan já previa reforçar as suas defesas antiaéreas de baixa, média e grande altitude, bem como melhorar as capacidades de protecção contra foguetes de longo alcance, no âmbito do chamado "Escudo de Taiwan" (T-Dome).
Este sistema de defesa aérea em camadas, anunciado em Outubro do ano passado pelo líder taiwanês, William Lai, pretende reforçar a capacidade de dissuasão da ilha face à China continental, que considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e não excluiu o uso da força para assumir o controlo da ilha.