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OMS afirma que programas de vacinação ameaçados pela crescente desinformação

OMS afirma que programas de vacinação ameaçados pela crescente desinformação
OMS afirma que programas de vacinação ameaçados pela crescente desinformação Imagens: DR

Redacção

Publicado às 22h13 18/03/2026

Genebra - Os programas de vacinação estão ameaçados pela crescente desinformação e pelas incertezas em torno do financiamento da investigação, alertaram hoje especialistas em vacinação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Entre os desafios emergentes estão a incerteza em relação ao financiamento da investigação e desenvolvimento de vacinas, assim como a desinformação e a informação distorcida, que corroem a confiança pública nas vacinas", de acordo com um comunicado do Grupo Estratégico Consultivo de Peritos em Imunização (SAGE) da OMS.

Para estes peritos, proteger a confiança e combater a desinformação são prioridades em 2026.

O SAGE realizou a reunião bianual na semana passada, com foco nas vacinas contra a covid-19 e a febre tifóide, entre outras.

"Estamos a viver um período de profunda turbulência, tanto em termos de doenças infecciosas como de programas de vacinação", afirmou Kate O'Brien, directora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, referindo-se aos conflitos, dificuldades económicas e restrições orçamentais no sector da saúde.

Em declarações à imprensa, a responsável salientou que a confiança nas vacinas está ameaçada pela desinformação e o risco é de retrocessos, ou mesmo de os países decidirem que não podem suportar todas as vacinas planeadas nos respectivos programas.

Depois de o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., ter feito declarações antivacinas e disseminado alegações que ligaram as vacinas ao autismo, uma análise da OMS, publicada em Dezembro, reafirmou a ausência de qualquer ligação entre as vacinas e o autismo.

"As vacinas não causam autismo e nunca causaram", reiterou O'Brien, acrescentando que as vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos.

O SAGE manifestou também preocupação com a transmissão do vírus da poliomielite no Paquistão e no Afeganistão, assim como em diversos países africanos.

"O conflito no Médio Oriente pode muito bem levar a um novo surto de poliovírus que causa a poliomielite, complicando ainda mais a tarefa de alcançar a erradicação", alertou o presidente do SAGE, Anthony Scott.

Em relação à vacinação contra a covid-19, o SAGE recomendou que se considerasse a vacinação duas vezes por ano para os grupos de maior risco, dado o nível decrescente de protecção depois de seis meses.

O'Brien indicou que o mercado das vacinas contra a covid-19 restringiu-se a um número limitado de fabricantes e tipos, tendo as vacinas de RNAmensageiro permanecido como a forma dominante.

Por isso, defendeu um aumento dos investimentos, particularmente no desenvolvimento de vacinas pancoronavírus que visam mais do que apenas a Covid-19, e em injecções de acção prolongada.

 

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