DEFESA

Comissão Europeia vai mobilizar 115 milhões para apoiar 'start-ups' de Defesa

Comissão Europeia vai mobilizar 115 milhões para apoiar 'start-ups' de DefesaImagem: DR

25/03/2026 18h43

Bruxelas - A Comissão Europeia propôs hoje a criação de um projecto-piloto de 115 milhões de para apoiar 'start-ups' de Defesa a desenvolverem tecnologias inovadoras, designadamente a nível de 'drones', inteligência artificial ou tecnologia quântica.

O projecto, intitulado "AGILE", tem como objectivo "acelerar o desenvolvimento e o ensaio de inovações revolucionárias no domínio da Defesa, bem como a sua penetração no mercado", refere a Comissão Europeia em comunicado.

"A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia mostrou que o sucesso no campo de batalha depende de ciclos de inovação curtos: na capacidade de desenvolver, testar e mobilizar novas tecnologias em semanas ou meses em vez de anos", refere o executivo comunitário.

Dotado de 115 milhões de euros, este projecto-piloto irá apoiar, a partir de 2027, entre 20 e 30 projectos de pequenas e médias empresas (PME) da União Europeia (UE), Ucrânia, Islândia, Noruega e Liechtenstein cada projecto será financiado com fundos entre um e cinco milhões.

No comunicado, a Comissão Europeia refere que quer investir estes fundos nos "novos atores de Defesa": nas "'start-ups' e inovadores tecnológicos que se movem a alta velocidade".

"Para os apoiar, o programa irá disponibilizar financiamento mais rápido e flexível a empresas, permitindo que as inovações sejam implementadas o mais rapidamente possível. O AGILE tem o objectivo de garantir a concessão de subvenções num prazo recorde de apenas quatro meses, com vista a que as tecnologias cheguem às Forças Armadas num prazo de um a três anos", indica o executivo.

Numa conferência de imprensa de apresentação deste plano, a vice-presidente da Comissão Europeia Henna Virkkunen, responsável pela Soberania Tecnológica, referiu que, apesar de a UE se ter conseguido destacar em termos de inovação e investigação em Defesa, tem tido dificuldades em "assumir riscos e apoiar a indústria de Defesa, em particular as PME e as 'start-ups'".

"O AGILE é a peça do puzzle que faltava e que ajudará a indústria da Defesa a garantir que as suas soluções chegam ao mercado", referiu, frisando que o objectivo é garantir que tecnologias disruptivas "saem do laboratório e chegam ao terreno numa velocidade recorde".

Por sua vez, o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, indicou que, actualmente, cerca de 70% a 80% dos gastos em Defesa na UE são investidos nas 10 maiores empresas no sector uma taxa que, nos Estados Unidos, é de menos de 40%.

Kubilius salientou que essas empresas desenvolvem produtos de alta qualidade, que levam "muito tempo a produzir, são muito caros e requerem tecnologia de excelência", já são apoiadas pela UE, mas é preciso garantir que o bloco tem também a capacidade de "adaptar-se muito rapidamente" a novos desafios e "aumentar a produção imediatamente".

"Temos de ser mais espertos e mais rápidos do que os nossos adversários. Por isso é que precisamos de PME e 'start-ups' mais inovadoras. Precisamos de soluções mais disruptivas e mais baratas para as nossas Forças Armadas. As PME e as 'start-ups' podem ajudar se nós as impulsionarmos com apoio rápido e regras simples", referiu.

O comissário reconheceu que o financiamento do programa e o número de empresas cobertos são limitados, mas salientou que é o possível tendo em conta o actual orçamento comunitário da UE, e disse esperar que permita criar 'start-ups' que tenham tanto sucesso como as alemãs Helsing SE ou Frankenburg Technologies.

"Espero que o AGILE demonstre o seu sucesso no curto período de 2027. Será uma boa oportunidade para testá-lo, de modo a dar continuidade com recursos financeiros muito maiores no próximo orçamento comunitário", disse.

A Comissão Europeia vai agora submeter esta proposta ao Parlamento Europeu e ao Conselho da UE, que terão de dar o seu aval.

 

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