Irão autoriza navios do Iraque a passar pelo estreito de Ormuz
Teerão - As forças armadas iranianas anunciaram hoje que os navios do Iraque podem passar pelo estreito de Ormuz, um via navegável praticamente bloqueada pelo Irão desde os ataques de Israel e dos Estados Unidos.
"Anunciamos que o Iraque, o nosso país irmão, não está sujeito às restrições que impusemos ao estreito de Ormuz e que estas restrições se aplicam apenas aos países inimigos", disse o porta-voz do comando das forças armadas iranianas, Ebrahim Zolfaghari, citado pela televisão estatal.
O estreito de Ormuz é uma passagem estratégica do mercado mundial de hidrocarbonetos, sendo estes os elementos base do petróleo e do gás natural.
Antes do anúncio das forças armadas iranianas, o Presidente dos Estados Unidos disse que o Irão tem "48 horas" para chegar a um acordo ou reabrir o estreito de Ormuz, dizendo que ia "fazer cair o inferno" sobre o país no golfo Pérsico.
"Lembram-se quando dei ao Irão 10 dias para CHEGAR A UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ. O tempo está a terminar -- 48 horas até que o inferno caia sobre eles. Glória a DEUS", escreveu Donald Trump na sua rede social.
A mensagem, no fim de semana da Páscoa, surgiu depois de Trump ter lançado um ultimato de 10 dias a 26 de Março, na mesma plataforma.
Na ocasião, o Presidente norte-americano disse que o Irão tinha até às 20:00 dos Estados Unidos (15:00 em Luanda), de segunda-feira, para reabrir o estreito de Ormuz.
A 28 de Fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra Teerão, que retaliou com o encerramento do estreito de Ormuz, via marítima fundamental para o mercado petrolífero, e ataques contra Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
A actual situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.