Papa pede fim das guerras através do diálogo em mensagem pascal
Vaticano - O Papa Leão XIV apelou hoje ao fim dos conflitos armados no mundo com recurso ao diálogo na sua primeira mensagem pascal 'Urbi et Orbi', pedindo que "aqueles que têm o poder de desencadear guerras escolham a paz".
"Que aqueles que empunham armas as deponham! Que aqueles que têm o poder de iniciar guerras escolham a paz! Não uma paz conquistada pela força, mas pelo diálogo! Não pelo desejo de dominar o outro, mas de encontrá-lo!", afirmou o Papa Leão XIV, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Para o pontífice, o diálogo "é a verdadeira força que traz paz à humanidade, uma vez que fomenta relações de respeito em todos os níveis: entre indivíduos, famílias, grupos sociais e nações".
Esta "força", sublinhou, "não procura impor a sua própria agenda", mas sim "contribuir para o seu desenvolvimento e implementação junto aos outros", porque "não visa a um interesse particular, mas ao bem comum".
Antes da bênção, o Papa Leão XIV também já tinha abordado os conflitos no mundo, denunciando a "violência da guerra que mata e que destrói" e "a idolatria do lucro" que pilha os recursos da Terra.
Citando o seu antecessor, Papa Francisco, o líder da Igreja Católica alertou para o perigo de se cair na indiferença perante a persistência "da injustiça, do mal e da crueldade".
Durante toda a Semana Santa, a sombra da guerra iniciada por Israel e Estados Unidos no Médio Oriente pairou sobre as celebrações.
As celebrações da Páscoa em Jerusalém foram marcadas pela proibição pela polícia israelita do cardeal Pierbattista Pizzaballa celebrar a missa do Domingo de Ramos na basílica do Santo Sepulcro, espaço de culto reverenciado pelos cristãos.
A situação gerou forte contestação internacional e obrigou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a recuar e a dizer que o cardeal podia entrar na basílica, numa altura em que a mesquita Al-Aqsa, também situada em Jerusalém, continua com todos os acessos vedados por Israel há mais de um mês.
Durante as celebrações da Páscoa, o Papa tem aproveitado para denunciar as guerras que afectam o mundo, sem nunca fazer referências explícitas a países ou regiões.
O santo padre convidou, ainda, toda a Igreja Católica a participar numa "vigília de oração pela paz", celebrada no próximo sábado, 11 de Abril.