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França critica e adverte para atitude belicista de Donald Trump

França critica e adverte para atitude belicista de Donald Trump
França critica e adverte para atitude belicista de Donald Trump Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h02 08/04/2026

Paris - A França criticou, terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, por ameaçar destruir infra-estruturas civis no Irão e avisou que tais ataques poderiam desencadear represálias de Teerão que agravariam “uma situação já preocupante.”

O Governo francês opõe-se "a todos os ataques a infra-estruturas civis" no Médio Oriente, tal como se opôs na Ucrânia, em cujo conflito "condenou em inúmeras ocasiões" as decisões do Presidente russo, Vladimir Putin, disse o chefe da diplomacia francesa.

Jean-Noël Barrot lembrou numa entrevista ao canal France Info que a guerra no Irão já teve como consequência uma subida global dos preços dos combustíveis.

"Se as infra-estruturas energéticas fossem atacadas, seriam de esperar represálias do regime iraniano que agravariam uma situação que já é preocupante", advertiu, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Barrot alertou para o risco para "a população civil, por um lado, mas também para a economia mundial, de que se produza um incêndio regional sem limites".

Tal situação "acarretaria grandes riscos que temos de evitar a qualquer preço", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

Donald Trump ameaçou na segunda-feira destruir em quatro horas todas as pontes e centrais eléctricas iranianas se Teerão não aceitar, até ao fim do dia de hoje, negociar um cessar-fogo.

Trump disse mesmo que os Estados Unidos tinham poder bélico para destruir o Irão numa única noite e que isso poderia acontecer já hoje, afirmando não se preocupar se forem cometidos crimes de guerra no país asiático.

Os Estados Unidos e Israel iniciaram a 28 de Fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão, que respondeu com ataques contra território israelita e interesses norte-americanos nos países da região.

A guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana terá causado mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, segundo fontes oficiais nos países atingidos.

Além de rejeitar eventuais ataques a infra-estruturas civis no Irão, Barrot reiterou a ideia de que uma solução para o conflito passará necessariamente por "grandes concessões" por parte do regime de Teerão.

O chefe da diplomacia francesa defendeu que a República Islâmica terá de fazer "uma mudança radical" da sua posição na região e perante a própria população do Irão.

Numa outra mensagem para os Estados Unidos, Barrot preveniu que uma eventual operação militar terrestre no Irão faria o conflito entrar "numa nova fase particularmente perigosa".

Uma operação militar terrestre "traria recordações dolorosas, as do Iraque e as do Afeganistão, que não resultaram em sucessos militares ou tácticos", afirmou.

O ministro reafirmou que a França apoia as discussões que os Estados Unidos mantêm com o Irão através de mediadores regionais, em vez da lógica belicista.

As discussões "são preferíveis a uma escalada que afectaria os nossos próprios interesses, com consequências para a economia mundial", considerou.

Quanto à iniciativa franco-britânica para organizar escoltas de navios pelo Estreito de Ormuz quando cessarem as hostilidades, recordou que se está a trabalhar para reunir países que queiram participar na "aceleração do restabelecimento do tráfego".

O objectivo é criar as condições para que se possa "baixar o mais rapidamente possível a pressão sobre o preço dos hidrocarbonetos", acrescentou.

Na sequência da guerra, o estreito por onde passa cerca de um quinto do comércio de hidrocarbonetos está praticamente bloqueado pelo Irão, o que contribuiu para as subidas dos preços de combustíveis a nível global.

Trump tem criticado a França e outros aliados da NATO por terem recusado participar em operações de segurança no Estreito de Ormuz, chegando mesmo a ameaçar retirar os Estados Unidos da Aliança Atlântica.

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