Netanyahu apoia bloqueio naval dos EUA em Ormuz
Telavive - O primeiro-ministro israelita apoiou hoje a imposição dum bloqueio naval norte-americano ao estreito de Ormuz durante uma reunião de Conselho de ministros e sublinhou que Telavive continua coordenada com Washington. Assegura também que o cessar-fogo com o Irão "pode acabar rapidamente".
"Uma vez que o Irão violou as regras, o Presidente Trump decidiu impor-lhes um bloqueio naval. É claro que apoiamos esta posição firme e estamos em constante coordenação com os Estados Unidos", afirmou o líder israelita em declarações divulgadas pelo seu gabinete.
Netanyahu assegurou durante a reunião que falou no domingo por telefone com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, quando este regressava de Islamabad para os Estados Unidos após as negociações do acordo de paz terem terminado sem um acordo.
"A rutura veio do lado norte-americano, que não podia tolerar a violação flagrante do acordo (...) Este acordo previa que cessassem os combates e que os iranianos abrissem as portas [do estreito de Ormuz] imediatamente", acrescentou o primeiro-ministro israelita.
"Ele [Vance] também me deixou claro que o principal assunto na agenda do Presidente Trump e dos Estados Unidos é a retirada de todo o material enriquecido e garantir que não haja enriquecimento [de urânio no Irão] nos próximos anos, e isto poderá prolongar-se por décadas", continuou, defendendo que Israel tem o mesmo objectivo.
Os Estados Unidos anunciaram no domingo que vão bloquear todo o tráfego marítimo de entrada e saída nos portos iranianos esta segunda-feira, às 15h de Lisboa.
Donald Trump justificou o bloqueio do estreito de Ormuz, que liga os golfos da Arábia e de Omã, com o que disse ser a recusa do Irão de renunciar às ambições nucleares.
O Irão considerou o bloqueio um ato de pirataria.
"As restrições impostas pelos Estados Unidos, um país criminoso, à navegação e ao trânsito marítimo em águas internacionais são ilegais e constituem um ato de pirataria", declarou o segundo o porta-voz do Comando Central, tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, em declarações divulgadas pelos meios de comunicação estatais.
A sua abertura imediata era uma das condições que levou as partes a sentarem-se à mesa em Islamabad, mas o Paquistão também anunciou que a trégua para as negociações incluía um cessar-fogo israelita no Líbano, pelo que a República Islâmica respondeu mantendo o bloqueio da passagem marítima.
As Forças Armadas iranianas alertaram que "a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no mar de Omã é para todos ou para ninguém", horas antes de entrar em vigor o bloqueio norte-americano do estreito de Ormuz.