França convoca reunião para resolver crise no estreito de Ormuz
Paris - O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que será organizada, nos próximos dias, uma conferência internacional com o objectivo de encontrar uma solução para o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio global.
A iniciativa será promovida em conjunto com o Reino Unido e pretende reunir países dispostos a contribuir para uma missão multinacional de carácter pacífico.
De acordo com o 20minutos, esta decisão surge como resposta direta ao ultimato lançado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigiu aos aliados europeus propostas concretas para lidar com a crise na região. A situação agravou-se após o envio da Marinha norte-americana e o anúncio do bloqueio ao tráfego marítimo com destino aos portos iranianos.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Macron explicou que o objectivo da conferência será “restaurar a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz, sublinhando a necessidade de uma solução diplomática para o conflito.
O líder francês defendeu que todos os esforços devem ser feitos para alcançar um acordo rápido e duradouro no Médio Oriente.
Segundo o 20minutos, Macron destacou ainda que esse eventual acordo deverá abordar várias questões fundamentais, incluindo o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão, as suas ações na região e a urgência de garantir uma circulação marítima segura e contínua. O Presidente francês acrescentou também a importância de assegurar a estabilidade no Líbano, com respeito pela sua soberania.
A iniciativa franco-britânica surge num contexto de forte pressão por parte de Washington. Donald Trump deu um prazo de dois dias aos países europeus para apresentarem soluções, após uma reunião com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Pouco depois, anunciou que os Estados Unidos iriam bloquear todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, alinhou com a posição de Macron, mas afastou a possibilidade de envolvimento militar. O líder britânico afirmou que o seu país não será arrastado para uma guerra, defendendo antes a coordenação de uma coligação internacional, composta por cerca de 40 países, para encontrar uma saída diplomática para a crise.
Entretanto, o Irão reagiu com firmeza às ações norte-americanas. As Forças Armadas iranianas classificaram o bloqueio como um acto ilegal e compararam-no à pirataria, alertando que a segurança nos portos da região deve ser garantida para todos. Caso contrário, avisaram, nenhum porto no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã estará seguro.
Também a China se pronunciou sobre a situação, apelando à manutenção da livre circulação no Estreito de Ormuz. Pequim sublinhou que esta rota é vital para o comércio internacional de energia e bens, defendendo um acordo rápido que permita restaurar a estabilidade e evitar uma escalada do conflito.