Estados-membros do CS interrogam candidato a sucessão de Guterres
Dakar - O candidato africano ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas, Macky Sall, será quarta-feira questionado, em Nova Iorque por representantes dos Estados-membros do Conselho de Segurança, órgão que decidirá seu destino.
No entanto, os membros da comitiva do ex-presidente do Senegal, embora cautelosos para não demonstrar optimismo excessivo ou presunçoso, não parecem preocupados com o rumo da campanha de seu campeão, segundo um artigo publicado no jornal Le Quotidien.
De fato, nesta fase da campanha, a única preocupação real decorre da natureza volátil do presidente americano. Donald Trump pode expressar uma opinião num dia e uma completamente oposta no dia seguinte. Isso torna difícil prever antecipadamente como ele interpretará o voto de seu país, considera o jornal.
Mesmo assim, após se reunir individualmente com todos os representantes dos Estados-membros do Conselho de Segurança, Macky Sall saiu desses encontros revigorado em sua abordagem.
Sua equipa de campanha, falando sob condição de anonimato, afirmou que as conversas com cada representante foram cordiais. Mais surpreendente ainda, nenhum dos países pareceu inclinado a destacar o que os opositores senegaleses à candidatura de seu compatriota chamam de "histórico sangrento de seu governo".
Em outras palavras, "nenhum país mencionou, nem mesmo implicitamente, as infames 84 mortes, a dívida oculta ou qualquer violação da prática democrática sob o governo de Macky Sall", explicou um membro da campanha. Isso sugere que os Estados-membros da ONU estão a agir unicamente em benefício próprio.
Mesmo o argumento comumente citado da rotação de secretários-gerais por continente nunca se mostrou relevante. Em primeiro lugar, essa cláusula não está explicitamente prevista na Carta da ONU.
Um dos interlocutores de Sall apontou que, entre os 16 candidatos indicados para chefiar a ONU, os países ocidentais obtiveram 7 mandatos, a Ásia 4, a África 3, assim como a América Latina. Por outro lado, nem a Oceania nem a Europa Oriental jamais obtiveram um único mandato.
Da mesma forma, toda a conversa sobre paridade de género não resultou em uma única mulher para liderar a organização. Isso é a prova de que os votos dos Estados são determinados unicamente por seus próprios interesses e pela competência percebida do candidato adversário.