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Chanceler alemão acusa EUA de falta de estratégia na guerra contra o Irão

Chanceler alemão acusa EUA de falta de estratégia na guerra contra o Irão
Chanceler alemão acusa EUA de falta de estratégia na guerra contra o Irão Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h19 27/04/2026

Berlim - O chanceler alemão, Friedrich Merz, considera que os Estados Unidos estão a perder posição no conflito com o Irão, chegando mesmo a afirmar que o país está a ser “humilhado” pela liderança iraniana.

As declarações foram feitas durante um encontro com estudantes numa escola em Marsberg, na Alemanha.

De acordo com o El País, Merz criticou duramente a forma como Washington entrou no conflito, sublinhando a ausência de uma estratégia clara. O líder conservador afirmou que os norte-americanos avançaram para a guerra sem um plano definido, o que, na sua perspetiva, está agora a fragilizar a sua posição perante Teerão.

O chanceler alemão revelou também que manifestou diretamente as suas dúvidas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mais do que uma ocasião. Para Merz, a decisão de avançar com a ofensiva militar conjunta com Israel, iniciada a 28 de fevereiro, foi precipitada.

Segundo o El País, o governante alemão lamentou que os aliados europeus não tenham sido consultados previamente por Washington. Acrescentou ainda que, se tivesse antecipado a duração e agravamento do conflito, teria sido ainda mais contundente nas críticas dirigidas à Casa Branca.

Merz destacou também a capacidade negocial do Irão, afirmando que as autoridades iranianas demonstram grande habilidade — inclusive na forma como evitam negociar — o que tem contribuído para colocar os Estados Unidos numa posição delicada.

O chanceler mostrou-se pouco otimista quanto a uma resolução rápida do conflito. Na sua análise, o Irão revelou-se mais forte do que inicialmente previsto, enquanto os Estados Unidos continuam sem uma estratégia convincente para encerrar a guerra.

Merz recordou exemplos históricos como o Guerra do Afeganistão e a Guerra do Iraque para ilustrar os riscos de intervenções militares sem um plano de saída definido. Sublinhou que iniciar um conflito é apenas parte do problema — saber terminá-lo é igualmente crucial.

O conflito está também a ter consequências diretas na economia alemã. Merz descreveu a situação como “bastante complicada”, alertando para os custos financeiros e o impacto no desempenho económico do país.

Entretanto, as negociações diplomáticas continuam com dificuldades. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, deverá reunir-se com representantes do Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediador.

Por outro lado, Trump cancelou novamente uma deslocação de negociadores ao Paquistão, alegando discordância com propostas iranianas relacionadas com a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, atualmente quase totalmente encerrado e vital para o transporte global de , gás e fertilizantes.

No contexto europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afastou a possibilidade de aliviar sanções contra o Irão. A responsável defendeu que qualquer mudança dependerá de alterações no comportamento do regime iraniano, nomeadamente no que diz respeito à repressão interna.

A posição europeia reforça a complexidade do cenário internacional, num momento em que o conflito continua sem sinais claros de resolução e com impactos que se fazem sentir muito para além da região do Médio Oriente.

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