DEFESA
Ex-líder da NATO critica falta de investimento na defesa do Reino Unido
14/04/2026 21h14
Londres - O antigo secretário-geral da NATO, George Robertson, criticou a falta de investimento do Reino Unido na defesa e alertou que a segurança do país está "em risco".
Num discurso previsto para esta noite em Salisbury, no sul de Inglaterra, o antigo ministro britânico da Defesa (1997-1999) e chefe da NATO entre 1999 e 2004 lamenta que o país esteja "mal preparado" e "não seguro", de acordo com excertos divulgados pelo jornal Financial Times e pela emissora britânica BBC.
"Estamos mal preparados. Estamos mal segurados. Estamos sob ataque. Não estamos seguros (...). A segurança nacional e a segurança do Reino Unido estão em perigo", sublinha na intervenção, considerando que a guerra no Irão é um "sinal de alarme".
Robertson, membro da Câmara dos Lordes e figura destacada do Partido Trabalhista, denuncia uma "complacência corrosiva" entre os responsáveis políticos britânicos.
"Fala-se em vão dos riscos e ameaças, mas nem sequer se consegue lançar o prometido debate nacional sobre defesa", sublinha, considerando que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, "não está disposto a aprovar os investimentos necessários".
O governo trabalhista previa apresentar no Outono de 2025 um plano de investimento para os próximos 10 anos na Defesa, mas o documento tem sido sucessivamente adiado.
Autor da última Revisão Estratégica de Defesa, publicada no ano passado, Robertson acusa "de vandalismo" os "especialistas não militares" do Ministério das Finanças.
O antigo dirigente alerta que a guerra no Médio Oriente expôs as limitações da Marinha Real britânica, ao lembrar que o Reino Unido enviou tardiamente apenas um contratorpedeiro para o Mediterrâneo, após um ataque de drone iraniano a uma base britânica em Chipre.
Perante as críticas, um porta-voz do governo garantiu que Londres "está a implementar a Revisão Estratégica da Defesa para fazer face às ameaças que pairam sobre o país" e que o plano de investimento será publicado "o mais rapidamente possível".
No ano passado, os gastos em defesa representaram 2,3% do produto interno bruto (PIB), cerca de 66 mil milhões de libras (1 libra equivale a 1.238,9 kwanzas).
Keir Starmer comprometeu-se a aumentar as despesas em defesa para 2,5% do PIB até 2027 e para 3,5% do PIB até 2035, como exigiu Washington para que os aliados europeus reforcem a contribuição militar no âmbito da NATO.