COOPERAçãO BILATERAL

Sánchez encerra visita à China já a pensar em nova deslocação no próximo ano

Sánchez encerra visita à China já a pensar em nova deslocação no próximo anoImagem: DR

15/04/2026 19h51

Beijing - O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, concluiu hoje a visita oficial à China, durante a qual foi dado mais um passo no aprofundamento das relações bilaterais, tendo já em vista uma nova deslocação a Beijing no próximo ano.

Sánchez visitou a China quatro vezes nos últimos quatro anos, embora esta tenha sido a primeira com estatuto oficial, o que motivou o convite das autoridades chinesas para que fosse acompanhado pela esposa, Begoña Gómez.

Ambos participaram no almoço e no jantar oferecidos na terça-feira, respectivamente, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e pelo primeiro-ministro, Li Qiang.

Os últimos compromissos da agenda incluíram uma reunião com representantes de empresas espanholas e chinesas e um encontro com o presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, Jens Eskelund.

Os objectivos económicos e comerciais foram um dos eixos centrais da visita, com Sánchez a defender a necessidade de a China abrir mais o seu mercado para facilitar o acesso de produtos espanhóis e da União Europeia, de forma a reduzir um défice comercial que classificou como "insustentável".

Fontes do Governo espanhol afirmaram que estas visitas contribuem para abrir portas à exportação de produtos, sublinhando que os resultados têm surgido gradualmente na sequência das deslocações anteriores de Sánchez.

Nesta visita, a assinatura de vários acordos deverá facilitar a entrada na China de produtos agro-alimentares como pistácios, figos, proteína animal suína e determinados fertilizantes.

Se, segundo o executivo espanhol, as visitas anteriores ajudaram a canalizar investimento chinês para Espanha, nesta deslocação Sánchez voltou a apresentar o país como destino atractivo para empresas chinesas.

O líder espanhol apelou ainda aos responsáveis empresariais dos dois países para reforçarem parcerias, numa reunião que contou com a presença de representantes de 36 empresas chinesas, cujo volume de negócios combinado rondou um bilião de dólares em 2025.

Para além das questões económicas, a visita evidenciou um alinhamento entre Espanha e a China face à posição do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump deverá visitar Pequim dentro de um mês, após ter adiado a deslocação inicialmente prevista devido à guerra no Irão. Durante a visita de Sánchez, este e Xi coincidiram nas críticas ao desrespeito pelo direito internacional e à tentativa de impor uma nova ordem baseada na "lei da selva".

Ambos defenderam também que Espanha e China se encontram "do lado correcto da história".

A sintonia entre os dois países traduziu-se na assinatura de um acordo para elevar ao mais alto nível o diálogo bilateral.

Sánchez pretende, contudo, que haja progressos não apenas na relação entre Espanha e China, mas também entre a União Europeia e o país asiático, considerando que pode desempenhar um papel de influência nesse processo.

O chefe do Governo espanhol já afirmou anteriormente a intenção de visitar anualmente a China para reforçar uma relação que considera estratégica.

Concluída a agenda deste ano, fontes governamentais indicaram que já estão em preparação os contactos para a visita do próximo ano.

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