CRIME
Detidas quase 300 pessoas com ligações ao crime organizado na Suécia
29/04/2026 21h47
Estocolmo - Quase 300 pessoas com ligações ao crime organizado, sobretudo através da Internet, foram detidas numa operação policial liderada pela Suécia, anunciou hoje a polícia sueca em conjunto com a Europol.
Lançada em Abril de 2025, a operação denominada 'Grimm', realizada em cooperação com a Europol e dez países europeus, visa combater o crescente fenómeno da "violência por encomenda", ou seja, o recrutamento 'online' de indivíduos, muitas vezes menores de idade, e a coordenação nas redes sociais de actos violentos no mundo real.
"No primeiro ano, 280 pessoas foram detidas em todo o mundo e a cooperação com empresas tecnológicas foi reforçada", afirmou a polícia em comunicado.
Mais de metade dos detidos está ligada a redes criminosas suecas, incluindo algumas crianças, com idades entre 10 e 12 anos, avançou a estação pública sueca SVT. Na Suécia, estas crianças devem ser colocadas sob os cuidados dos serviços sociais.
A Europol indicou que três indivíduos são agora suspeitos de envolvimento em crimes que se enquadram na categoria de "violência por encomenda", nomeadamente um sueco procurado por homicídio e descrito como recrutador de um grupo criminoso organizado, um outro sueco procurado por várias tentativas de homicídio e conspiração para homicídio, e um alemão acusado de orquestrar vários homicídios e outros actos graves de violência na Alemanha a partir do estrangeiro.
As redes criminosas na Suécia usam um sistema de recrutamento pouco estruturado nas redes sociais, em que as crianças são utilizadas para cometerem os crimes por serem menores de idade.
Entretanto, apesar das cerca de 300 detenções, "o recrutamento de jovens para o crime violento continua", sublinhou a polícia sueca, afirmando que todas as empresas tecnológicas devem assumir a responsabilidade.
"Para nós, é muito claro que as investigações e os processos judiciais, isoladamente, não são suficientes", afirmou Theodor Smedius, um agente da polícia citado no comunicado de imprensa. Ao longo do último ano, decorreram reuniões entre a polícia e as grandes tecnológicas Google, Meta, TikTok e Snapchat.
"Este é um desenvolvimento positivo. Ao mesmo tempo, algumas plataformas ainda não estão dispostas a negociar. Precisamos de ir mais longe (...). Já é tempo de utilizarem as ferramentas disponíveis para reforçar a auto monitorização e a limpeza automática das plataformas, de forma a proteger as crianças e os jovens", acrescentou Smedius.
Além da Suécia, participam na operação 'Grimm' Bélgica, Dinamarca, França, Finlândia, Alemanha, Islândia, Países Baixos, Noruega e Espanha.