Macron afirma que França não foi atacada em Ormuz
Paris - O presidente Emmanuel Macron declarou hoje que a França não foi atacada no Estreito de Ormuz, dissociando a violenta acção de terça-feira contra um navio da empresa de navegação francesa CMA CGM de uma agressão contra a República.
Segundo a porta-voz do Governo, Maud Bregeon, falando à imprensa após uma reunião de gabinete, o Chefe de Estado referiu-se ao incidente nesses termos, o que foi confirmado esta manhã pela empresa, uma das maiores do mundo no sector de transporte marítimo.
A porta-voz afirmou que o ataque ao navio porta-contentores San Antonio demonstra que a situação continua perigosa em Ormuz, uma passagem bloqueada tanto pelos Estados Unidos quanto pelo Irão, que insiste que, para atravessar o estreito em segurança, é necessária a coordenação com Teerão.
A CMA CGM divulgou um comunicado no qual lamentou que os disparos efectuados contra a sua embarcação tenham causado ferimentos a vários tripulantes, que foram evacuados e receberam assistência, além de danos à própria embarcação.
A esse respeito, Bregeon afirmou que o San Antonio não possui bandeira francesa, a sua bandeira registrada é a de Malta, e que a tripulação é filipina.
O ataque ao navio porta-contentores ocorreu no contexto da operação militar americana "Projecto Liberdade", anunciada pelo presidente Donald Trump com o suposto objectivo de escoltar os navios retidos no Estreito de Ormuz, apesar dos alertas do Irão de que a sua autorização é necessária para transitar pela passagem estratégica.
Após diversos incidentes que ameaçaram o cessar-fogo entre Washington e Teerão, em vigor há um mês, Trump suspendeu a missão "por um curto período de tempo", argumentando que espera poder chegar a um acordo de paz com o país persa, que foi atacado pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de Fevereiro.