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Um dos rios mais importantes do mundo pode desaparecer até 2040

Um dos rios mais importantes do mundo pode desaparecer até 2040
Um dos rios mais importantes do mundo pode desaparecer até 2040 Imagens: DR

Redacção

Publicado às 22h13 11/05/2026

Ankara - O rio Eufrates, um dos cursos de água mais históricos e importantes do planeta, está a perder água a um ritmo alarmante, numa situação que está a preocupar cientistas, ambientalistas e até sectores religiosos que associam o fenómeno a antigas profecias bíblicas sobre o fim do mundo.

A redução drástica do caudal do rio, visível em várias zonas do Médio Oriente, surge numa altura em que estudos científicos alertam para a possibilidade de o Eufrates desaparecer parcialmente até 2040 devido às alterações climáticas, às secas prolongadas e à redução contínua das reservas de água doce.

Os dados mais recentes obtidos por satélite mostram que a bacia do Eufrates perdeu mais de 1.400 quilómetros cúbicos de água doce desde 2003, uma quantidade equivalente a cerca de 13 milhões de piscinas olímpicas. Os números demonstram a dimensão da crise hídrica que afecta uma das regiões historicamente mais importantes da civilização humana.

Um rio central na história da humanidade

O Eufrates atravessa territórios como a Turquia, a Síria e o Iraque e, juntamente com o rio Tigre, marca a região histórica da Mesopotâmia, frequentemente considerada o berço de algumas das primeiras civilizações do mundo.

Ao longo de milhares de anos, o rio foi essencial para a agricultura, abastecimento de água, comércio e desenvolvimento humano no Médio Oriente.

Mas além da importância geográfica e histórica, o Eufrates ocupa também um lugar central em textos religiosos, sobretudo na Bíblia.

O rio é mencionado no Livro do Apocalipse, um dos textos mais simbólicos e debatidos do Novo Testamento, onde surge associado aos acontecimentos que antecedem a batalha final conhecida como Armagedão.

Profecia bíblica volta ao centro das atenções

A actual redução do caudal do Eufrates reacendeu interpretações religiosas ligadas ao Apocalipse.
O versículo citado com maior frequência é o Apocalipse 16:12, que refere: “O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e as suas águas secaram para preparar o caminho aos reis do Oriente.”

Segundo interpretações bíblicas tradicionais, o rio funcionava na Antiguidade como uma barreira natural defensiva contra invasões vindas do Oriente.

A passagem descreve simbolicamente a remoção dessa barreira, permitindo a deslocação de forças militares para o confronto final associado ao Armagedão.

No contexto religioso, o episódio integra a sequência das chamadas “sete taças” do Apocalipse, que representam juízos e acontecimentos ligados ao fim dos tempos.

Para alguns grupos religiosos, o facto de o rio estar efectivamente a perder água é visto como um sinal preocupante relacionado com essas profecias.

Cientistas alertam para causas ambientais e climáticas
Apesar das interpretações religiosas, os especialistas sublinham que a situação do Eufrates resulta sobretudo de factores ambientais e climáticos.

A combinação entre alterações climáticas, secas extremas, aumento das temperaturas e utilização intensiva da água tem reduzido drasticamente os níveis do rio nas últimas décadas.

As imagens de satélite mostram um declínio contínuo das reservas hídricas da região desde o início dos anos 2000.

Em várias zonas do Iraque e da Síria, comunidades locais enfrentam já escassez de água, dificuldades agrícolas e degradação dos solos.

Os especialistas alertam que a continuação deste cenário poderá provocar consequências graves para milhões de pessoas que dependem directamente do rio para abastecimento e produção agrícola.

Médio Oriente enfrenta pressão crescente sobre os recursos hídricos
A crise do Eufrates reflecte um problema mais amplo no Médio Oriente, uma das regiões mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas e à desertificação.

Nos últimos anos, vários países da região registaram períodos de seca extrema, redução dos níveis de rios e barragens e aumento das tensões ligadas ao acesso à água.

A situação é agravada pelo crescimento populacional, pela pressão agrícola e pela construção de barragens ao longo do curso do rio, sobretudo em território turco.

Especialistas têm alertado repetidamente para o risco de futuras crises humanitárias e conflitos associados à escassez de água na região.

Eufrates poderá sofrer alterações irreversíveis até 2040

O relatório científico citado indica que o rio poderá sofrer alterações profundas até 2040 caso a tendência actual se mantenha.

A redução contínua do caudal ameaça ecossistemas, actividades agrícolas e o equilíbrio ambiental de vários países.

Em algumas áreas, antigas margens do rio já apresentam extensas zonas secas, enquanto populações locais relatam dificuldades crescentes no acesso à água potável.

As previsões apontam para um agravamento do problema caso não sejam adoptadas medidas de conservação e gestão sustentável dos recursos hídricos.

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