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Redução de efectivo militar dos EUA na Europa gera medo de rutura na NATO

Redução de efectivo militar dos EUA na Europa gera medo de rutura na NATO
Redução de efectivo militar dos EUA na Europa gera medo de rutura na NATO Imagens: DR

Redacção

Publicado às 08h13 23/05/2026

Frankfurt - A decisão da administração de Donald Trump de reduzir a presença militar norte-americana na Europa está a provocar crescente preocupação entre os aliados europeus da NATO, que receiam uma transformação estrutural da aliança atlântica.

A retirada de milhares de soldados norte-americanos da Alemanha, a revisão do destacamento previsto para a Polónia e a suspensão do plano de instalação de mísseis Tomahawk em território alemão estão a ser interpretadas em várias capitais europeias como sinais de um possível afastamento estratégico de Washington do continente europeu.

Embora o Pentágono insista que qualquer redução será gradual e não colocará em causa a capacidade defensiva da NATO, o clima entre os aliados é de grande inquietação.

A situação tornou-se ainda mais confusa depois de trump ter anunciado, já esta quinta-feira, o envio de cinco mil militares para a Polónia, pouco depois de a sua equipa ter suspendido o destacamento de uma brigada blindada norte-americana para aquele país.

A decisão foi vista por vários diplomatas europeus como contraditória e surpreendente, sobretudo numa altura em que Washington reforça uma postura mais transacional em relação à NATO, privilegiando parceiros considerados politicamente alinhados com a Casa Branca.

A reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, que decorre esta sexta-feira em Helsingborg, deverá servir como teste decisivo à relação transatlântica.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é esperado no encontro e deverá tentar tranquilizar os aliados europeus, apresentando os cortes militares como uma simples “adaptação gradual” da presença norte-americana no continente. Ainda assim, cresce o receio de que os EUA estejam a concentrar cada vez mais a sua atenção estratégica na Ásia e no continente americano, relegando a Europa para segundo plano.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alinhou parcialmente com a posição defendida pela administração Trump e admitiu, durante uma intervenção na Suécia, que “essa dependência excessiva” da proteção norte-americana “tem de terminar”. Rutte defendeu igualmente um “reequilíbrio” dentro da aliança, permitindo que os Estados Unidos possam concentrar-se noutras regiões do globo. Ainda assim, nos bastidores, vários governos europeus temem que a erosão do tradicional “guarda-chuva” militar norte-americano deixe a Europa mais vulnerável perante a Rússia, sobretudo num momento de tensão crescente no flanco báltico.

Na Alemanha, o congelamento do destacamento de mísseis Tomahawk está a gerar especial desconforto político e militar. O plano tinha sido acordado durante a presidência de Joe Biden como elemento central da estratégia de dissuasão contra Moscovo.

Contudo, a administração Trump decidiu travar o processo, alegando necessidade operacional desses sistemas noutros cenários. Em Berlim, porém, a decisão é encarada como um sinal político negativo dirigido ao chanceler Friedrich Merz, depois das críticas alemãs à atuação norte-americana na guerra com o Irão.

Fontes diplomáticas admitem que a suspensão dos Tomahawk representa um dos maiores focos de tensão interna da NATO em 2026 e obriga a Europa a acelerar o desenvolvimento de capacidades militares autónomas de longo alcance.

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