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Identificados sete casos de hantavírus no navio Hondius

Identificados sete casos de hantavírus no navio HondiusImagem: DR

05/05/2026 22h36

Lisboa - A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, segunda-feira, que foram identificados sete casos de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro Hondius e fez uma descrição de como a doença se desenvolveu entre os passageiros.

Segundo a OMS, citada pelo jornal britânico The Independent, "até 4 de Maio de 2026, foram identificados sete casos (dois casos de hantavírus confirmados em laboratório e cinco suspeitos), incluindo três mortes, um doente em estado crítico e três indivíduos com sintomas ligeiros".

De acordo com a mesma fonte, a evolução do surto começou com o "Caso 1", um homem adulto que apresentou "febre, dor de cabeça e diarreia ligeira, no dia 6 de Abril, enquanto estava a bordo".

O estado de saúde do homem agravou-se rapidamente e cinco dias depois, a 11 de Abril, "desenvolveu insuficiência respiratória e morreu no mesmo dia", refere.

O corpo do indivíduo foi posteriormente retirado do navio e transportado para a ilha de Santa Helena, um território britânico no sul do Oceano Atlântico, a 24 de Abril, disse a mesma fonte, ao notar que na altura não foi realizado qualquer teste microbiológico.

O "Caso 2" trata-se de uma mulher adulta, que tinha contacto próximo com o "Caso 1".

De acordo com a OMS, a mulher chegou a Santa Helena no dia 24 de Abril já com "sintomas gastrointestinais" e o seu estado de saúde "deteriorou-se durante um voo para Joanesburgo, a 25 de Abril", tendo morrido no dia seguinte.

Na segunda-feira, 4 de Maio, um teste PCR confirmou a infecção por hantavírus e as autoridades estão agora a contactar todos os passageiros do voo que a mulher apanhou até Joanesburgo.

"Tanto o 'Caso 1' como o ‘Caso 2' viajaram pela América do Sul, incluindo a Argentina, antes de embarcarem no navio a 1 de Abril", indicou a OMS.

Sabe-se também que o "Caso 1" e o "Caso 2" formam um casal dos Países Baixos: o homem com 70 anos e a mulher com 69.

Sobre o "Caso 3", sabe-se que se trata de um homem britânico, de 69 anos, que procurou assistência médica no navio a 24 de Abril.

Apresentava sintomas de "febre, falta de ar e sinais de pneumonia" e, devido ao agravamento do seu estado de saúde, foi retirado a 27 de Abril por via aérea da ilha de Ascensão, também um território britânico no sul do Oceano Atlântico, para a África do Sul, onde permanece internado numa Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).

"Os testes iniciais para agentes patogénicos respiratórios foram negativos, mas o teste PCR confirmou a infecção por hantavírus a 2 de Maio. Análises adicionais, incluindo a sequenciação, estão em curso", indicou a OMS.

A terceira vítima mortal, descrita como o "Caso 4", é uma mulher adulta que "desenvolveu sintomas no dia 28 de Abril, incluindo febre e mal-estar geral, compatíveis com pneumonia", e morreu no sábado passado, 2 de Maio.

De acordo com a empresa proprietária do navio, a Oceanwide Expeditions, a vítima é de nacionalidade alemã.

Há ainda três casos suspeitos, que relataram ter "febre alta e/ou sintomas gastrointestinais" e continuam a bordo do navio de cruzeiro Hondius, que permanece parado à entrada do porto da Cidade da Praia, em Cabo Verde.

A OMS garantiu estar a trabalhar com as autoridades locais e a operadora de cruzeiros Oceanwide numa "avaliação completa de risco para a saúde pública".

"Estão em curso investigações detalhadas, incluindo mais testes laboratoriais e investigações epidemiológicas", disse a organização, frisando que "cuidados médicos e apoio estão a ser prestados aos passageiros e à tripulação".

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