SAúDE
Mais de 90 passageiros do navio "MV Hondius" repatriados de Tenerife por avião
11/05/2026 20h57
Lisboa - A operação que decorreu nas Canárias com o navio afectado por um surto de hantavírus desembarcou e repatriou 94 pessoas domingo e vai prosseguir e terminar os procedimentos esta segunda-feira, disse o Governo espanhol.
Foram retiradas do barco na ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, 94 tripulantes e passageiros de 19 nacionalidades desde as 09h30 (hora local), segundo um balanço feito numa conferência de imprensa no local pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García, citada pelo portal Notícias ao Minuto.
Essas 94 pessoas foram transportadas e repatriadas em oito voos para Madrid (14), França (5), Canadá (4), Países Baixos (26), Reino Unido (22), Irlanda (2), Turquia (3) e Estados Unidos (18).
O navio de cruzeiro "MV Hondius" está ancorado desde domingo de manhã no porto de Granadilla, em Tenerife, e os repatriamentos foram feitos a partir do aeroporto Tenerife Sul, localizado a pouco mais de 10 quilómetros.
A bordo do paquete, que esteve de quarentena em Cabo Verde e tem bandeira dos Países Baixos, estavam 147 pessoas de 23 nacionalidades à chegada domingo às Canárias, entre tripulantes, passageiros e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), segundo dados do armador, a empresa Oceandrive.
Depois dos desembarques e repatriamentos de domingo, haverá mais dois voos esta segunda-feira à tarde, um para a Austrália (com seis pessoas) e outro para os Países Baixos (com 18), considerado um "avião vassoura", que levará os passageiros e tripulantes do paquete que, por algum motivo, não seguiram nos voos anteriores.
Deverão ficar a bordo 34 tripulantes, para seguirem viagem e levar o "MV Hondius" até Roterdão, nos Países Baixos, disse a ministra espanhola.
Segundo o Governo espanhol e o armador, o barco vai abastecer em Tenerife esta manhã para poder seguir viagem à tarde, logo após os últimos desembarques previstos.
Passageiros e tripulantes, com máscaras e fatos completos de proteção sanitária, foram domingo levados em veículos militares do porto de Granadilla para o aeroporto de Tenerife Sul e foram deixados directamente na pista, à entrada dos aviões que os transportaram.
Os repatriamentos têm sido feitos com aviões fretados por vários países e outros da União Europeia, ao abrigo do mecanismo europeu de protecção civil.
A operação, coordenada por Espanha, pelos Países Baixos, pela OMS e pela União Europeia, envolve ou envolveu mais de 20 países e é "inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes", como a definiu a ministra da Saúde espanhola, Mónica García.
Mónica García realçou que a operação de domingo nas Canárias decorreu com "total normalidade e total segurança" e que se espera que esta segunda-feira termine e o "MV Hondius" saia de Tenerife ao final da tarde.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infecção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco.
Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infectados estavam já a bordo à chegada às Canárias.
O barco viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infectados. A variante detectada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
Os sintomas da infecção com hantavírus são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares. Dependendo da estirpe, o hantavírus pode provocar uma infecção pulmonar ou renal.