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Trump pretendia apagar 2,7 milhões de imigrantes do sistema financeiro

Trump pretendia apagar 2,7 milhões de imigrantes do sistema financeiro
Trump pretendia apagar 2,7 milhões de imigrantes do sistema financeiro Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h47 07/06/2026

Washington - A administração Trump chegou a desenhar planos para classificar 2,7 milhões de pessoas vivas como mortas, no âmbito de um esforço para controlar da imigração, segundo um antigo dirigente da Segurança Social, Jeremiah Schofield, que contou o plano ao “Washington Post”.

O plano, que a Administração da Segurança Social afirma não ter sido executado, teria utilizado uma das bases de dados mais importantes do país para apagar pessoas do sistema financeiro, o que poderia ter limitado o acesso dos visados a salários, serviços bancários, prestações sociais e outros serviços.

De acordo com a fonte, muitos dos nomes nessa base de dados pertenciam de cidadãos norte-americanos, com plenos direitos, ou a residentes permanentes, ou seja, pessoas que, tendo nascido em outros países, estão nos Estados Unidos de forma legal.

Schofield, a principal fonte do jornal norte-americano para esta história, trabalhou 25 anos na Segurança Social, e diz ter-se recusado a implementar o plano depois de os advogados da agência terem alertado que classificar falsamente pessoas vivas como mortas poderia violar a lei federal.

Schofield decidiu analisar uma amostra (25 pessoas) para perceber quem eram, o que afirmou ser um procedimento habitual, e descobriu que as pessoas ainda estavam vivas e que na lista havia vários cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais, adolescentes e idosos, incluindo uma viúva, legalmente residente, que recebia prestações de sobrevivência.

A denúncia deste ex-funcionário, que tem 49 páginas e foi analisada pelo “Washington Post”, foi igualmente enviada à senadora Elizabeth Warren (democrata, eleita por Massachusetts), que integra a Comissão de Finanças do Senado, e ao senador Richard Blumenthal (democrata do Connecticut), membro da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado, mas Schofield decidiu dar uma entrevista por considerar que os “americanos precisam de compreender como os dados governamentais podem ser utilizados de forma indevida e como, em alguns casos, já o foram”.

Existe um precedente. Em 2025, a Segurança Social norte-americana passou cerca de 6300 imigrantes para o registo de “óbitos”, uma base de dados utilizada por bancos, entidades patronais e agências governamentais para determinar se alguém está vivo.

Algumas das pessoas visadas apresentaram prova de vida e foram reintroduzidas no sistema. A então responsável pela Segurança Interna, Kristi Noem, disse que várias pessoas admitidas no país pelo ex-Presidente Joe Biden eram criminosas e terroristas e por isso não deviam poder trabalhar nem receber qualquer ajuda nos Estados Unidos. Schofield diz que é impossível perceber, olhando para as listas, se as pessoas são criminosas ou terroristas, só é possível se as autoridades já as tiverem acusado oficialmente de alguma coisa.

Numa reunião online na qual Schofield esteve presente, um funcionário do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) disse que objectivo de declarar mortas 2,7 milhões de pessoas vivas era “tornar a vida dos imigrantes tão miserável” ao ponto de se “auto-deportarem” ou de terem de se dirigir aos balcões da Segurança Social para pedir ajuda, “onde poderiam ser detidos”, denuncia Schofield. ”Aquela chamada foi uma das mais decepcionantes em que participei nos meus 25 anos de carreira”, disse ao “Post”. “Fiquei chocado. Não podia acreditar no que estava a ouvir”.

O DOGE, que, quando deu início às suas atividades tinha como director o bilionário Elon Musk, provocou uma das mais profundas e controversas reestruturações da administração federal norte-americana em décadas. No espaço de apenas dois meses, mais de 62 mil funcionários federais foram despedidos, um aumento de 41.311% face ao mesmo período do ano anterior, afetando um total de 27 agências. O DOGE Já não existe como agência autónoma e Musk também já não tem um cargo em Washington, mas o impacto mantém-se.

Entre as vítimas mais emblemáticas desta vaga de cortes esteve a USAID, a agência norte-americana de ajuda internacional, que o DOGE desmantelou em poucas semanas. Numa única noite, 300 trabalhadores estavam fora. O mesmo aconteceu na Administração Nacional de Segurança Nuclear, onde mais de 300 funcionários responsáveis pela segurança do arsenal nuclear norte-americano foram despedidos num único dia, tendo a maioria sido posteriormente recontratada.

Um outro exemplo de cortes considerados graves por vários supervisores independentes foi aquele que aconteceu no Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Na Agência para os Alimentos e Medicamentos (FDA) um total de três mil e 500 postos de trabalho foram suprimidos, e mais de 800 funcionários foram despedidos do Centro de Avaliação e Investigação de Medicamentos, responsável pela aprovação de novos fármacos e pela monitorização de efeitos secundários.

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