NATO admite que EUA podem não cumprir promessas em caso de guerra
Washington - O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou esta quinta-feira não poder garantir que, em caso de guerra, os Estados Unidos disponibilizem à Aliança os recursos militares que prometeram por terem de se "ocupar de múltiplos teatros de operações".
“Se rebentar uma guerra, é claro que todos os aliados, incluindo os Estados Unidos, farão tudo o que estiver ao seu alcance. Não digo que possam cumprir tudo o que prometeram no âmbito do modelo de forças da NATO, mas darão o máximo”, disse Rutte à imprensa à chegada a uma reunião dos ministros aliados da Defesa, na sede da Aliança Atlântica, em Bruxelas.
O antigo primeiro-ministro neerlandês precisou que "isso dependerá, naturalmente, do tipo de guerra em causa, das limitações existentes e dos desafios que surjam".
"Mas estou bastante seguro de que lutaremos nessa guerra e a venceremos", acrescentou.
Rutte pronunciou-se depois de Washington ter anunciado que vai reajustar a sua contribuição para o Modelo de Forças da NATO, a estrutura operacional que organiza, gere e comanda as forças militares dos países aliados.
"Os EUA disseram, e sabíamos que isto iria acontecer, que têm de se ocupar de múltiplos teatros de operações, e que não podem dispersar demasiado os seus recursos. Disseram que tinham de reduzir, em certa medida, a sua contribuição para o modelo de forças da NATO", explicou.
O secretário-geral da NATO sublinhou que este reajuste é imediato, mas insistiu que se trata de uma "planificação" e que, em caso de guerra ou de ativação do artigo 5.º relativo à defesa coletiva da Aliança, "todos os aliados, incluindo os EUA, fariam tudo para garantir que pudéssemos travar a guerra".
“Devemos ter em conta que os EUA estão a reduzir a sua contribuição, que continua a ser considerável”, disse o secretário-geral da NATO, deixando claro que os aliados europeus já estão "a cobrir essa diferença".
Antes do mesmo encontro, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país vai realizar um investimento de 1.500 mil milhões de dólares (1.302 mil milhões de euros) em Defesa em 2027, investimento que, considerou, irá também beneficiar a defesa da NATO.
Hegseth explicou que passará "semanas no Capitólio a defender a importância destes investimentos", destinados a construir um "arsenal da liberdade", que "protege os Estados Unidos e os seus interesses, mas que também sustenta a força da NATO" e restantes aliados.
O governante norte-americano agradeceu ainda o facto da Europa estar a liderar o regresso a uma "aliança militar firme", e considerou que muitos países da organização estão a cumprir os compromissos assumidos, embora tenha salientado que outros ainda precisam de "fazer mais".
Ao mesmo tempo, Hegseth elogiou o trabalho de Rutte na condução da transformação para a chamada "NATO 3.0", alegando que esta mudança "representa o reconhecimento de que, após a Guerra Fria, é necessário [que a NATO] volte a ser uma aliança militar firme, dotada de capacidades militares reais, capazes de dissuadir aqui mesmo, no continente, e de assumir a liderança na defesa convencional".