Ex-ministro dos Transportes da Espanha condenado a 24 anos de prisão
Madrid - O ex-ministro dos Transportes espanhol, José Luis Ábalos, foi hoje condenado a 24 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia.
Além de Ábalos, que integrou governos do actual chefe do executivo, Pedro Sánchez, foram julgados e condenados neste caso o antigo assessor do ex-ministro Koldo Garcia (19 anos e oito meses de prisão) e o empresário Victor de Aldama, que colaborou com a justiça e confessou os crimes (quatro anos e meio de prisão suspensa).
O Ministério Público espanhol tinha pedido, nas alegações finais no julgamento, a 4 de maio, 24 anos de prisão para José Luis Ábalos.
Antigo “braço direito” de Sánchez, o ex-ministro foi também dirigente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).
José Luis Ábalos, Victor de Aldama e Koldo García foram julgados em Madrid acusados de suborno, tráfico de influências, desvio de dinheiro público, integração em organização criminosa, uso e aproveitamento de informação privilegiada, falsificação e prevaricação.
O Ministério Público argumentou que os três, aproveitando a posição que Ábalos e Koldo García tinham então no Governo e no PSOE, levaram organismos públicos e empresas públicas a comprar material sanitário durante a pandemia da covid-19 e obtiveram comissões ilegais.
Esta investigação originou outro processo mais alargado, ainda em curso, em que estão a ser investigadas suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE, relacionadas com eventuais comissões na adjudicação de obras públicas.
Ábalos foi ministro entre 2018 e 2021 e, perante as suspeitas de corrupção, foi expulso do PSOE em 2024.
Foi um dos dirigentes do PSOE mais próximos de Sánchez, por fazer parte do núcleo duro que o acompanhou no percurso até à liderança do PSOE (em 2017) e do Governo (em 2018).
O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver “indícios muito graves” de corrupção envolvendo antigos dirigentes do PSOE, pediu desculpa e perdão aos espanhóis e aos militantes da força política, mas tem reiterado que o partido é “uma organização limpa” e não há suspeitas de financiamento ilegal.