Mundo

Mundo


PUBLICIDADE

NATO diz que 500 aeronaves dos EUA saíram de Itália para ataques no Irão

500 aeronaves dos EUA saíram de Itália para ataques no Irão
500 aeronaves dos EUA saíram de Itália para ataques no Irão Imagens: DR

Redacção

Publicado às 23h29 24/06/2026 - Actualizado às 23h29 24/06/2026

Washington - O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, revelou que “500 aeronaves norte-americanas descolaram de bases americanas em Itália” durante a guerra contra o Irão iniciada em 28 de Fevereiro, levando a oposição a exigir esclarecimentos da primeira-ministra.

Em entrevista ao canal televisivo norte-americano Fox News, Rutte rejeitou a narrativa de que os aliados europeus dos Estados Unidos não prestaram ajuda durante a guerra com o Irão — uma queixa recorrente do Presidente norte-americano, Donald Trump — , argumentando que este número relativo a voos realizados a partir de bases em Itália durante a chamada “Operação Fúria Épica” é “um número enorme“.

“Se considerarmos toda a Europa, estamos a falar de entre 4.000 e 5.000 missões de voo”, sublinhou o secretário-geral da Aliança Atlântica.

Durante a campanha militar contra o Irão, o governo italiano indicou que permitiria aos Estados Unidos utilizar as suas bases para operações normais e voos logísticos, em conformidade com um tratado bilateral, mas recusou, em março, a autorização para que bombardeiros utilizassem a base aérea de Sigonella, na Sicília, o que provocou a ira de Trump e o azedar de relações com a primeira-ministra, Giorgia Meloni.

A revelação de Mark Rutte já está a suscitar reações entre os partidos da oposição em Itália, que exigem “esclarecimentos imediatos” do governo de direita e extrema-direita liderado por Meloni.

“Segundo Rutte, as bases em Itália desempenharam um papel enorme no apoio à guerra ilegal de Trump e [do primeiro-ministro israelita Benjamin] Netanyahu contra o Irão, o que é contrário aos nossos princípios e interesses”, apontou Giuseppe Provenzano, do Partido Democrático, principal força política da oposição de centro-esquerda.

Lembrando que “Meloni tinha garantido que a Itália não se envolveria”, Provenzano disse que se ficou agora “a saber que pelo menos 500 aviões norte-americanos descolaram de solo italiano”, o que confirma as preocupações manifestadas anteriormente no parlamento e às quais o governo deu “respostas vagas”.

“O governo italiano, e a primeira-ministra em particular, tem o dever de esclarecer urgentemente estas graves alegações”, disse, lamentando que Itália tenha auxiliado à “projeção do poder americano, na lógica de Trump, da lei do mais forte, em violação do direito internacional”.

Também o líder do Movimento 5 Estrelas (M5S, partido populista de centro-esquerda), o antigo primeiro-ministro Giuseppe Conte, comentou que as declarações de Mark Rutte contradizem o que o governo de Meloni foi dizendo ao longo da campanha de bombardeamentos, concluindo que “os contos de fadas do governo e dos seus defensores estão a desmoronar-se”.

“As palavras de Rutte confirmam o que sempre dissemos… 500 aviões partiram da Itália para uma guerra ilegítima no Irão, uma guerra para a qual Netanyahu arrastou Trump e que prejudicou gravemente a economia italiana […] É imperativo que a primeira-ministra Meloni compareça perante o parlamento e a nação para prestar os esclarecimentos necessários”, sustentou.

Enquanto os partidos da oposição aguardam por esclarecimentos de Meloni, a primeira reação por parte do governo surgiu através do Ministério da Defesa italiano, segundo o qual as afirmações de Mark Rutte são “enganosas”, uma vez que Roma apenas autorizou a utilização das bases norte-americanas em Itália para operações de rotina durante a guerra com o Irão, e não para missões de combate ofensivas.

“É surpreendente que o secretário-geral da NATO, que nada tem a ver com a ‘Operação Fúria Épica’, apresente um relato que transmite uma mensagem completamente enganosa ao confundir os tipos de voos autorizados.

Apenas foram autorizadas atividades técnicas e logísticas, não cinéticas, no âmbito dos procedimentos estabelecidos pelos acordos existentes. Sempre que foi apresentado um pedido fora deste âmbito, como é do conhecimento geral, a Itália não concedeu autorização”, garantiu hoje o Ministério da Defesa, num comunicado publicado à tarde para “evitar polémicas desnecessárias e infundadas”.

PUBLICIDADE