Ex-ministro da Defesa do Reino Unido julgado à revelia na Rússia
Moscovo - O ex-ministro da Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, vai ser julgado à revelia por um tribunal de Moscovo, na Rússia, por acusações de incitamento a actividades terroristas.
Segundo a agência de notícias russa TASS, que cita o serviço de imprensa do Tribunal Militar do Segundo Distrito Ocidental, "o tribunal recebeu os autos do processo criminal contra Wallace, que é acusado à revelia de cometer um crime previsto no Artigo 205.2, Parte 2, do Código Penal Russo".
Em causa está o crime de "incitação à propaganda terrorista na internet" e uma "audiência preliminar definirá o procedimento para o julgamento à revelia, bem como a data da primeira audiência".
A acusação indica que o ex-ministro da Defesa britânico, que esteve no cargo entre Julho de 2019 e agosto de 2023, fez uma "declaração que continha incitações à actividade terrorista, incluindo o fornecimento de mísseis de longo alcance à Ucrânia para permitir ataques à Ponte da Crimeia com o objectivo de criar condições inabitáveis para civis", durante uma reunião do Fórum Segurança de Varsóvia, em setembro de 2025.
Na altura, Wallace afirmou: "Precisamos de ajudar a Ucrânia... a tornar a Crimeia inviável para atingir o ego de Putin".
"Por isso, precisamos de ajudar a Ucrânia a ter as capacidades de longo alcance para tornar a Crimeia inviável. Precisamos de sufocar a Crimeia. E penso que se Putin perceber que tem algo a perder, que não é habitável ou que não é possível que funcione, e aquela ponte, precisamos de caças Taurus vindos da Alemanha, precisamos de destruir a Ponte de Kerch, porque é uma estátua para o ego de Putin", disse, citado pelo jornal The Guardian.
Em Maio, o Ministério do Interior da Rússia emitiu um mandado de captura contra o ex-ministro da Defesa do Reino Unido, sem especificar o processo penal em causa.
"É procurado ao abrigo de um artigo do Código Penal", indicou o ministério, na altura.
Moscovo e Londres mantêm relações tensas há décadas, embora a animosidade mútua se tenha agravado com o início da invasão russa da Ucrânia.
Em Março, o Kremlin acusou o Reino Unido de estar envolvido no ataque ucraniano com mísseis Storm Shadow contra uma fábrica de 'microchips' na região fronteiriça de Briansk, onde morreram seis pessoas e cerca de 50 ficaram feridas.
Além disso, pouco tempo depois, Moscovo expulsou um diplomata britânico sob suspeita de espionagem.