FINANCIAMENTO
Africa CDC necessita de USD 1,4 mil milhões para combate a Ébola
26/06/2026 22h02
Adis Abeba - O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC, na sigla de inglês) anunciou esta quinta-feira que as necessidades financeiras para responder à epidemia de Ébola no continente são quase três vezes superiores à estimativa inicial, atingindo actualmente os 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos.
O director-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, explicou que a nova avaliação resulta de consultas realizadas com especialistas do governo da República Democrática do Congo (RDC) e de agências das Nações Unidas, de acordo com a Reuters.
O actual surto da variante Bundibugyo já infectou mais de 1.100 pessoas na RDC e outras 20 no Uganda, tornando-se a fase da doença com o maior número de casos registados durante o primeiro mês desde que o vírus foi identificado.
A nova projecção financeira supera largamente a estimativa anterior de 518 milhões de dólares, divulgada a 05 de Junho no âmbito de um plano conjunto entre o Africa CDC e a Organização Mundial da Saúde. O montante actualizado inclui igualmente recursos destinados à assistência humanitária às populações afectadas.
Segundo Jean Kaseya, foram prometidos até ao momento cerca de 910 milhões de dólares por parceiros internacionais, mas apenas 13 por cento deste valor foi efectivamente disponibilizado.
“Se não obtivermos estes 1,4 mil milhões de dólares e se não resolvermos a questão humanitária, não conseguiremos travar este surto”, advertiu durante uma conferência de imprensa virtual.
O responsável alertou ainda para o agravamento das condições humanitárias na província de Ituri, no leste da RDC, considerada de epicentro da epidemia.
Entre os principais desafios identificados estão as dificuldades de acesso das equipas de saúde aos campos de deslocados internos onde foram detectados casos da doença, situação que compromete o rastreio de contactos e outras medidas de contenção.
Na quarta-feira, responsáveis da OMS advertiram que a propagação do Ébola continua a superar os esforços de resposta no terreno.
A organização destacou também os riscos enfrentados pelos profissionais de saúde que operam numa região marcada por décadas de conflitos armados, onde a desconfiança das comunidades locais em relação às autoridades e aos agentes estrangeiros continua a constituir um obstáculo às operações de combate à doença.
O Ébola é uma doença viral grave e frequentemente fatal, transmitida através do contacto directo com fluidos corporais de pessoas infectadas, exigindo medidas rigorosas de vigilância, isolamento e assistência médica para limitar a sua propagação.