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Capital da Finlândia completa um ano sem mortos em acidentes de viação

Capital da Finlândia completa um ano sem mortos em acidentes de viação
Capital da Finlândia completa um ano sem mortos em acidentes de viação Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h44 03/07/2026

Helsínquia - Com cerca de 1,4 milhões de habitantes, a área metropolitana de Helsínquia alcançou um marco indiscutível na segurança rodoviária. O que podem outras capitais e grandes cidades da União Europeia aprender com este caso de sucesso?

Há cerca de 40 anos, a capital finlandesa começou a conceber novas soluções para reduzir os acidentes rodoviários mortais e, mais tarde, eliminá-los por completo.

Esses esforços deram agora frutos: entre 2024 e 2025 registouse um período de 12 meses consecutivos sem uma única morte na estrada.

Em comparação, num período semelhante, 31 pessoas - incluindo condutores, peões, motociclistas ou ciclistas - morreram nas ruas de Paris. À data das gravações desta reportagem, tinham, entretanto, passado mais nove meses consecutivos sem qualquer morte rodoviária em Helsínquia.

Um planeamento urbano abrangente tem sido um elemento essencial, mas há muitos outros fatores. "Claro que melhorar a segurança do nosso ambiente de tráfego é importante, mas também o são comportamentos mais seguros dos utilizadores da via, veículos mais seguros e a legislação ou a fiscalização rodoviária", explica Roni Utriainen, engenheiro de tráfego na Divisão de Ambiente Urbano da Cidade de Helsínquia. "A cidade reduziu os limites de velocidade, melhorou as infraestruturas para peões e ciclistas, estreitou faixas de rodagem e instalou radares de velocidade. O transporte público é muito bom e isso também ajuda a reduzir o número de viagens de automóvel e de colisões."

Nos últimos 20 anos, a capital da Finlândia investiu fortemente em infraestruturas destinadas a melhorar a segurança rodoviária, incluindo túneis em zonas centrais muito movimentadas e pontes que ligam bairros vizinhos, construídas exclusivamente para peões e ciclistas.
"A perceção global de segurança melhorou de forma bastante significativa na última década", reconhece Martti Tulenheimo, especialista principal na Federação de Ciclistas da Finlândia. "No ano passado, Helsínquia investiu cerca de 35 milhões de euros em infraestruturas para ciclistas e peões, o que pode parecer uma verba elevada, mas continua a representar apenas 13% do orçamento total de investimento em transportes", confirma Matti Hirvonen, também especialista principal, da Rede de Municípios Cicláveis da Finlândia.

A cidade olha agora para o futuro e quer melhorar ainda mais o seu registo de segurança, prevendo proibir a circulação de automóveis particulares, a partir de 2030, nas ruas mais movimentadas em redor da estação ferroviária central, explica Pasi Anteroinen, diretor executivo da Liikenneturva, o Conselho Finlandês de Segurança Rodoviária. "A questão maior é a aceitação pública. O que é aceitável num país ou numa cidade? Quais são as nossas expectativas? Os habitantes de Helsínquia decidiram que querem ruas mais seguras."

 

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