Cúpula da OTAN expõe divisões crescentes entre os membros
Ancara - Os líderes da OTAN encerraram, na quarta-feira, uma cúpula de dois dias com declarações de unidade cuidadosamente elaboradas e anúncios de novas aquisições de armamentos.
No entanto, a pressão exercida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em questões como gastos com defesa, a Groenlândia e o Irã, expôs as crescentes divisões internas da aliança.
Na sua declaração final, a OTAN reafirmou seu "compromisso inabalável" com a defesa colectiva, nos termos do Artigo 5º do Tratado de Washington, declarando que "um ataque a um é um ataque a todos". A aliança também anunciou mais de 50 bilhões de dólares em novas aquisições de armas, comprometeu-se a ampliar a capacidade de produção conjunta e prometeu acelerar a inovação no sector de defesa.
O documento destacou que os aliados europeus e o Canadá estão assumindo maior responsabilidade pela defesa da aliança e financiam, atualmente, a "vasta maioria" da assistência de segurança à Ucrânia. Foi anunciado o compromisso de fornecer 70 bilhões de euros (cerca de 80 bilhões de dólares) em equipamentos militares, assistência e treinamento para a Ucrânia em 2026, além da promessa de manter níveis pelo menos equivalentes em 2027.
Contudo, a cúpula não apresentou um roteiro concreto sobre como os aliados implementariam a exigência de Washington por um aumento expressivo nos gastos militares.
Baris Doster, especialista em relações internacionais da Universidade de Marmara, em Istambul, classificou os anúncios de aquisição como "declarações vagas e sem base sólida", acrescentando que as críticas contundentes de Trump aos aliados europeus prejudicaram o clima diplomático do encontro.