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Trump desiste da portagem de 20% sobre toda carga no Estreito de Ormuz

Trump desiste da portagem de 20% sobre toda carga no Estreito de Ormuz
Trump desiste da portagem de 20% sobre toda carga no Estreito de Ormuz Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h41 14/07/2026

Washington - Donald Trump desistiu de cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada através do Estreito de Ormuz, menos de um dia depois de ter apresentado o plano como forma de compensar os Estados Unidos pela protecção militar da passagem marítima.

Em alternativa, o presidente dos Estados Unidos anunciou que procurará obter acordos comerciais e de investimento com os países do Golfo. A mudança foi comunicada menos de cinco horas antes da hora prevista para a entrada em vigor da polémica cobrança.

“Com base em conversas altamente produtivas com a liderança do Médio Oriente, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% dos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que os diversos Estados do Golfo farão com os Estados Unidos”, escreveu Trump na Truth Social, citado pela ‘Reuters’.

O presidente não identificou os países envolvidos, nem revelou o valor ou os termos dos investimentos alegadamente acordados. Limitou-se a garantir que os compromissos serão significativos e mais vantajosos no longo prazo do que a cobrança direta sobre a carga.

O Estreito de Ormuz continuará aberto ao tráfego comercial internacional, segundo Trump, mas os navios associados ao Irão, aos seus portos ou às suas mercadorias permanecerão sujeitos ao bloqueio americano.

Uma “portagem” que durou poucas horas

A proposta tinha sido apresentada esta segunda-feira, depois de Teerão anunciar o encerramento do estreito e as forças dos EUA iniciarem uma nova vaga de ataques contra o Irão.

Trump declarou então que Washington assumiria o papel de “guardião” de Ormuz e receberia 20% sobre toda a carga transportada, para recuperar os custos de manter a rota aberta e proteger os navios.

A decisão provocou dúvidas imediatas entre governos, empresas de transporte marítimo e organizações internacionais, tanto pela dimensão da taxa como pela ausência de explicações sobre a forma como seria calculada e cobrada.

Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás transportados no mundo passava diariamente pelo Estreito de Ormuz. Segundo os cálculos citados pela ‘Reuters’, uma cobrança de 20% poderia render aos Estados Unidos cerca de 240 milhões de dólares por dia.

A Organização Marítima Internacional, agência das Nações Unidas responsável pela navegação, manifestou-se contra a aplicação de taxas obrigatórias em estreitos utilizados pelo comércio internacional.

A organização considerou que não existia fundamento jurídico para transformar uma passagem marítima internacional numa via sujeita a portagem unilateral.

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