China ameaça retaliar EUA pela restrição de vistos a jornalistas
Luanda - A China advertiu que poderá adoptar contra-medidas, após a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de limitar a duração da permanência de jornalistas estrangeiros no país, com os cidadãos chineses sujeitos as restrições mais severas.
Ao abrigo das novas regras, que devem entrar em vigor dentro de dois meses, salvo se forem bloqueadas pelo Congresso, os jornalistas estrangeiros passam a estar limitados a estadas de 240 dias, em território norte-americano, podendo solicitar renovações por períodos idênticos.
Os jornalistas chineses vão ficar sujeitos a um regime particularmente restritivo, com vistos limitados a 90 dias e possibilidade de renovação por igual período, noticiou a Lusa.
"A China opõe-se firmemente às acções discriminatórias dos Estados Unidos dirigidas contra países específicos", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian.
"A China exige que os Estados Unidos revoguem imediatamente as políticas discriminatórias contra os jornalistas chineses", declarou o porta-voz, na conferência de imprensa diária.
Lin Jian acrescentou, sem fornecer pormenores, que "a China reserva-se o direito de adoptar contra-medidas recíprocas".
A medida, que vai afectar jornalistas acreditados de centenas de órgãos de comunicação estrangeiros nos Estados Unidos, tinha sido proposta, no ano passado, pelo Governo norte-americano, dando início a um período de consultas.
As novas restrições aos vistos constituem mais uma etapa da política migratória restritiva do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Desde o regresso à Casa Branca, a administração de Donald Trump efectuou deportações em massa de imigrantes em situação irregular e impôs um conjunto de restrições, por vezes muito severas, à entrada legal de cidadãos estrangeiros.
As organizações de defesa da liberdade de imprensa criticaram duramente as novas regras.
A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras manifestou-se, na quinta-feira, indignada com a decisão de Washington.