Trump trava acordo nuclear com a Arábia Saudita
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quinta-feira que a entrada em vigor do acordo de cooperação nuclear civil assinado esta semana com a Arábia Saudita dependerá da adesão de Riade aos Acordos de Abraão e do reconhecimento diplomático de Israel.
Numa mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump sublinhou que o entendimento não permitirá o enriquecimento de urânio por parte dos sauditas. "Não haverá enriquecimento de material", escreveu o presidente norte-americano, acrescentando que o acordo "está totalmente sujeito à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão".
Até ao momento, a Arábia Saudita não reagiu às declarações de Trump, mas a normalização das relações entre a Arábia Saudita e Israel tem sido, há vários anos, uma condição defendida por Washington para aprofundar a cooperação nuclear com Riade.
Contudo, as negociações ficaram mais difíceis após o agravamento do conflito entre Israel e o Hamas, iniciado em outubro de 2023,, até porque a Arábia Saudita tem afirmado, por diversas ocasiões, que apenas reconhecerá Israel quando for criado um Estado palestiniano independente
A declaração surge um dia depois de o secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, e o ministro saudita da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman, terem assinado um acordo de cooperação nuclear para fins civis, acompanhado de um entendimento bilateral sobre salvaguardas nucleares.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o entendimento criará a base legal para uma parceria de várias décadas, avaliada em milhares de milhões de dólares, e permitirá um maior envolvimento de empresas norte-americanas no desenvolvimento do programa nuclear saudita.
Nos últimos meses, vários órgãos de comunicação social norte-americanos tinham avançado que o acordo poderia abrir a porta a um futuro enriquecimento de urânio em território saudita.
O urânio enriquecido pode ser utilizado como combustível para centrais nucleares, mas também na produção de armas atómicas, o que gerou preocupações entre especialistas e políticos.
Trump procurou agora afastar esses receios, garantindo que Riade não terá autorização para enriquecer urânio. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre os detalhes técnicos do acordo, já que a Casa Branca não divulgou o documento assinado.
A questão nuclear é particularmente sensível no Médio Oriente, numa altura em que os Estados Unidos e Israel justificam parte da pressão sobre o Irão com a necessidade de impedir Teerão de desenvolver armas nucleares.
Em 2018, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, afirmou que o reino não pretendia adquirir armamento nuclear, mas admitiu que seguiria esse caminho caso o Irão construísse uma bomba atómica.