CE questiona intenção da FIFA para privatizar direitos dos Mundiais
Bruxelas - O plano da FIFA para abrir parte das operações comerciais dos Campeonatos do Mundo de futebol masculino e feminino ao investimento privado está a gerar uma forte reacção em Bruxelas, onde responsáveis europeus e eurodeputados manifestam preocupação com o impacto da medida no modelo desportivo europeu, nas regras da concorrência e na independência da principal entidade que rege o futebol mundial.
A proposta, divulgada esta terça-feira pela FIFA, prevê a privatização das operações comerciais associadas aos Mundiais através da criação de uma nova subsidiária, numa operação que terá como principal investidor a Thrive Capital, sociedade de capital de risco liderada por Josh Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano Donald Trump. Segundo o POLITICO, este é mais um sinal da crescente proximidade entre Gianni Infantino e Donald Trump.
Comissão Europeia alerta para questões de concorrência
A reação mais imediata partiu do comissário europeu responsável pelo Desporto, Glenn Micallef, que criticou publicamente a iniciativa da FIFA e deixou um aviso sobre os riscos que a proposta poderá representar para o futebol.
“O sucesso comercial deve fortalecer o futebol, não consumi-lo”, escreveu Micallef na rede social X, acrescentando a mensagem: “Tirem as mãos do nosso jogo”.
Além das críticas políticas, o responsável europeu afirmou que o projeto suscita “importantes questões relacionadas com o direito da concorrência”, adiantando que essas implicações serão analisadas pela Comissão Europeia.