Míssil russo destrói fábrica de drones de empresa americana em Kiev
Kiev - Um míssil balístico russo destruiu uma fábrica de drones em Kiev pertencente a uma empresa registada no estado norte-americano de Delaware, naquele que poderá ser o primeiro ataque da Rússia contra uma instalação industrial de propriedade de uma empresa dos Estados Unidos desde o início da guerra na Ucrânia.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a unidade produzia drones de ataque de precisão de longo alcance equipados com sistemas de navegação baseados em Inteligência Artificial (IA), concebidos para resistir aos bloqueios electrónicos (jamming) utilizados pelas forças russas.
A tecnologia denominada "autonomia terminal" permite que o drone assuma o controlo autónomo na fase final da missão, recorrendo à inteligência artificial quando os sinais de rádio ou as redes móveis são neutralizados.
Registos oficiais indicam que a Terminal Autonomy foi constituída em Delaware em 2023. No seu portal electrónico, a empresa afirma desenvolver e fornecer munições de precisão e drones guiados por IA, actualmente utilizados pelas forças ucranianas na linha da frente.
Para Anthony Vinci, antigo alto responsável dos serviços de inteligência norte-americanos e especialista em assuntos militares, a nacionalidade do proprietário da instalação não altera a lógica operacional russa.
"Os russos não se preocupam com quem é o proprietário da fábrica. Continua a ser um alvo militar, independentemente de ser uma empresa americana ou de outra nacionalidade", afirmou.
O ataque ocorre poucas semanas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que os Estados Unidos autorizariam a Ucrânia a fabricar localmente mísseis anti-aéreos Patriot sob licença.
Na opinião de Anthony Vinci, qualquer instalação destinada à produção de sistemas de armamento norte-americanos em território ucraniano poderá igualmente tornar-se alvo das forças russas.
A agência estatal russa TASS foi a primeira a noticiar o ataque, citando o Ministério da Defesa da Rússia.
O órgão informou que especialistas de uma empresa ucraniano-americana trabalhavam na fábrica e identificou a produção dos drones AQ-400 Scythe e AQ-100 Bayonet, sem mencionar que a unidade pertencia a uma empresa registada nos Estados Unidos.
De acordo com uma fonte ligada à empresa, o ataque não provocou vítimas mortais.