JUSTIçA
Juiz federal condena Maduro por alegado rapto de americanos
15/07/2026 22h44
Nova Iorque - Um juiz federal norte-americano condenou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e outros dirigentes chavistas a pagar 314 milhões de dólares a cidadãos norte-americanos que intentaram uma acção judicial por sequestro, tortura e terrorismo.
Segundo informações esta quarta-feira divulgadas, além de Maduro, detido no início do ano pelos Estados Unidos numa operação especial em Caracas, o Tribunal do Distrito Sul da Flórida também responsabilizou os atuais ministros do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e da Agricultura, Vladimir Padrino (que até Abril passado ocupava o cargo de ministro da Defesa), mas excluiu da condenação a actual Presidente interina, Delcy Rodríguez, e o seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela.
Entre os queixosos que estiveram na origem desta ação judicial contam-se Jerrel Kenemore, Jason Saad e Edgar Marval, que em 2023 fizeram parte de uma troca de prisioneiros durante o mandato do democrata Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos (2021-2025), que resultou na libertação do ex-ministro venezuelano e empresário colombiano Alex Saab, apontado nos Estados Unidos como “testa de ferro” de Maduro, e que entretanto voltou a ser detido, em Maio passado, enfrentando, em Miami, também na Flórida, acusações de branqueamento de capitais.
Os mais de 10 queixosos, incluindo pessoas sequestradas na Venezuela e dois menores, tinham apresentado a queixa em Agosto de 2025, mas reactivaram-na em Janeiro passado com uma nova moção após a deposição e captura de Maduro, agora detido em Nova Iorque, onde enfrenta acusações de narco-terrorismo.
A acção acusa os líderes do chavismo, movimento inspirado no antigo Presidente Hugo Chávez, de violarem a Lei Federal Antiterrorismo, a Lei Antiterrorismo da Flórida e a Lei das Organizações Corruptas e Influenciadas pelo Crime Organizado.
No acórdão, o juiz argumentou que Maduro “tem, historicamente, sequestrado e detido arbitrariamente cidadãos norte-americanos para os trocar pela libertação de criminosos venezuelanos detidos nos Estados Unidos” e considerou que o ex-governante “cometeu atos de terrorismo internacional”, sendo que o “sequestro, a tortura e a detenção arbitrária” de cidadãos norte-americanos “violaram as leis penais dos Estados Unidos e da Flórida”.
Este recurso civil decorre paralelamente ao processo penal que Maduro enfrenta por tráfico de droga em Nova Iorque, onde também se encontra detida a sua mulher, Cilia Flores.