CONFLITO
Novos novos ataques norte-americanos fazem disparar preço do petróleo
24/07/2026 19h50
Nova Iorque - Os Estados Unidos lançaram esta madrugada a 13.ª noite consecutiva de ataques contra o Irão, após rebeldes Huthis terem atacado dois petroleiros sauditas no mar Vermelho, e levando a uma subida do preço internacional do petróleo.
As ofensivas ocorreram após os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, terem anunciado ataques a dois petroleiros sauditas no mar Vermelho, ampliando o conflito e fazendo disparar o preço internacional do petróleo para cerca de 100 dólares (91 euros) por barril.
Pouco depois dos novos ataques, os meios estatais iranianos relataram explosões em Bandar Abbas, importante porto militar e comercial, onde duas pessoas ficaram feridas.
Foram também registadas explosões na ilha de Qeshm, que alberga meios navais como barcos-drone, e em zonas do noroeste como Andimeshk, Omidiyeh e Firuzabad. Em Ahvaz, quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas na sequência de um ataque com mísseis norte-americanos.
O Comando Central dos EUA afirmou que a ofensiva visou “degradar ainda mais a capacidade do Irão de ameaçar marinheiros civis e navios comerciais” na região, procurando recuperar o controlo do estreito de Ormuz, por onde em tempos de paz transitava um quinto do petróleo e gás mundial. Os ataques terminaram pouco antes desta manhã.
Entretanto, os Huthis ameaçaram encerrar outra rota comercial vital, agravando os efeitos da guerra. O Presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que haverá “punição militar severa” contra os rebeldes se os ataques a navios continuarem, responsabilizando diretamente o Irão por apoiar o grupo.
O impacto económico foi imediato: o preço do Brent subiu mais de 6%, atingindo o nível mais alto desde maio. O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, esteve em Teerão para apelar ao diálogo e garantiu que não permitirá o uso do território iraquiano para ataques contra o Irão, após se ter reunido com Trump em Washington.
A agência SABA dos Huthis disse que os rebeldes atingiram os petroleiros Encelia e Layla no mar Vermelho, provocando incêndios.
O estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e por onde passa cerca de 12% do comércio mundial, está agora em risco. Uma análise da empresa de dados e inteligência marítima Lloyd’s List Intelligence classificou os ataques como um “duplo golpe” para os fluxos de petróleo, já afetados pelo bloqueio no estreito de Ormuz.
O Irão insiste que tem direito a gerir o tráfego no estreito e chegou a atacar navios que utilizavam rotas sob escolta norte-americana. Trump declarou que fundos iranianos congelados nos EUA serão usados para reparar navios danificados, embora não tenha especificado os mecanismos legais.
Desde o reinício dos ataques aéreos norte-americanos, em 27 de junho, o Ministério da Saúde iraniano contabilizou 55 mortos e 629 feridos. Teerão retaliou atingindo infraestruturas energéticas e unidades de dessalinização em países vizinhos do Golfo.