INCêNDIO
Mais de 200 mil pessoas afetadas pelos incêndios em França e Espanha
26/07/2026 15h44
Paris - Mais de 200 mil pessoas foram retiradas das suas casas ou obrigadas a permanecer em confinamento devido aos grandes incêndios que afetam Espanha e França, numa altura em que as equipas de emergência lutam para travar a progressão das chamas.
Em Espanha, o Governo declarou o primeiro estado de emergência nacional devido a incêndios florestais, depois de dois grandes fogos nos arredores de Madrid e de uma terceira frente, na província de Ávila.
A situação levou à retirada ou confinamento de mais de 63 mil pessoas. A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, classificou o incêndio como “o mais grave da história da região” e descreve a situação com algo sem precedentes provocada por uma combinação de temperaturas extremas e ventos persistentes.
As autoridades espanholas alertaram que os fogos atingiram um ponto crítico e que algumas frentes evoluíram para além da capacidade actual de combate. O primeiro-ministro Pedro Sánchez reuniu o gabinete de emergência e garantiu que o Governo colocou “todos os recursos disponíveis” no terreno, destacando o trabalho dos serviços de emergência.
Apesar da descida das temperaturas, Sánchez considerou a situação ainda “complexa”, alertando para a influência do vento na evolução dos incêndios. O chefe do Governo espanhol voltou também a defender a necessidade de um acordo nacional para enfrentar a emergência climática, sublinhando que as alterações climáticas estão a contribuir para incêndios mais frequentes e intensos.
França enfrenta grandes incêndios no sudoeste
Em França, as autoridades ordenaram a retirada de localidades na península de Cap Ferret, na costa atlântica, devido a um incêndio considerado “intenso e altamente imprevisível”, que já destruiu mais de 19 mil hectares de floresta.
Na região da Gironda, onde se situa Bordéus, cerca de 141 mil pessoas já foram obrigadas a abandonar as suas casas devido a dois grandes incêndios que atingem o sudoeste do país.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, escreveu na rede social X que houve a mobilização de militares para apoiar o combate às chamas e a distribuição de 1,5 milhões de máscaras para proteger a população e os operacionais da exposição ao fumo.
Por outro lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, ativou o mecanismo europeu de proteção civil, permitindo o envio de reforços de outros países. Portugal, Croácia, República Checa e Eslováquia vão disponibilizar meios aéreos para ajudar no combate aos incêndios.
De acordo com Laurent Nuñez, ministro do Interior francês, existem dezenas de incêndios ativos no país e que, desde o início do ano, já arderam cerca de 50 mil hectares, quase quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado.
Também na Escócia, as autoridades mantêm uma operação de emergência devido a um incêndio no Parque Nacional de Cairngorms. A aldeia de Nethy Bridge foi evacuada por precaução depois de uma mudança nas condições do vento ter acelerado a propagação das chamas.
Os especialistas, citados pelo The Guardian, alertam que a crise climática está a contribuir para fenómenos meteorológicos mais extremos, com períodos de seca mais prolongados, solos mais secos e condições cada vez mais favoráveis à propagação de incêndios.
A Europa está a aquecer a um ritmo superior à média mundial, aumentando o risco de vagas de calor intensas e de grandes incêndios florestais, que têm provocado milhares de mortes associadas ao calor extremo.