Crise migratória em Ceuta gera protestos e confrontos
Ceuta — A crise migratória que afecta a cidade autónoma espanhola de Ceuta agravou-se nos últimos dias, com manifestações, confrontos e uma crescente tensão entre residentes locais, migrantes e forças de segurança, após a entrada em massa de milhares de pessoas provenientes de Marrocos.
As autoridades estimam que vários milhares de migrantes permanecem na cidade, depois de uma vaga migratória sem precedentes registada no final de Julho. A situação tem colocado forte pressão sobre os serviços públicos, os centros de acolhimento e as infra-estruturas locais.
Na quinta-feira, grupos de manifestantes bloquearam a passagem de veículos da Cruz Vermelha que transportavam ajuda humanitária para migrantes instalados em zonas costeiras. Posteriormente, registaram-se actos de vandalismo contra acampamentos improvisados, incluindo incêndios e destruição de bens pessoais.
A polícia espanhola foi obrigada a intervir para impedir confrontos directos entre residentes e migrantes. Em algumas áreas, os agentes recorreram a gás lacrimogéneo e a outras medidas de controlo de multidões para restaurar a ordem pública.
O clima de insegurança aumentou após um incidente envolvendo uma patrulha militar, que resultou em vários detidos e em ferimentos ligeiros em militares espanhóis. O episódio contribuiu para intensificar o debate político em torno da gestão da crise migratória.
Entretanto, centenas de migrantes organizaram manifestações para exigir protecção internacional e o processamento dos seus pedidos de asilo, alegando condições precárias de alojamento e falta de perspectivas quanto ao seu futuro.
O Governo espanhol apelou à calma e mantém contactos com as autoridades marroquinas para gerir a situação. A crise em Ceuta transformou-se num dos temas políticos mais sensíveis em Espanha, com impacto nas relações entre Madrid, Rabat e a União Europeia.