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EUA enfrentam escassez crítica de interceptores de mísseis na Europa

EUA duplica investimento para sistemas de defesa aérea
EUA duplica investimento para sistemas de defesa aérea Imagens: DR

Redacção

Publicado às 10h55 29/08/2026 - Actualizado às 10h56 29/08/2026

Luanda - As forças norte-americanas enfrentam uma escassez crítica de interceptores de mísseis na Europa, devido ao elevado consumo na guerra com o Irão, segundo responsáveis militares citados pela Associated Press (AP).

Um responsável da defesa norte-americana na Europa afirmou à agência, sob anonimato, que a situação mais preocupante envolve os interceptores Patriot, considerados essenciais para abater os mísseis balísticos de alta velocidade utilizados pela Rússia.

Um responsável da NATO confirmou igualmente à AP os baixos níveis das reservas de Patriot entre as forças norte-americanas e da Aliança na Europa.

Segundo a fonte norte-americana, as forças dos Estados Unidos na Europa definitivamente não dispõem actualmente de Patriots suficientes para enfrentar um eventual ataque sustentado de mísseis balísticos e teriam uma capacidade muito limitada para responder mesmo a um ataque isolado ou a um míssil russo que se desviasse da trajectória.

Num cenário de ataques contra um quartel-general militar ou uma central eléctrica, por exemplo, a NATO poderia enfrentar dificuldades semelhantes às da Ucrânia e ser obrigada a levar golpe após golpe, acrescentou.

A redução das reservas resulta parcialmente dos fornecimentos feitos a Kiev, desde a invasão russa de Fevereiro de 2022, mas terá sido acelerada sobretudo pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão, iniciada a 28 de Fevereiro, e que completou sexta-feira seis meses.

Os Estados Unidos transferiram para o Médio Oriente parte das reservas destinadas à Europa e Washington e os aliados do Golfo utilizaram um número significativo de interceptores para responder aos ataques iranianos com drones e mísseis.

Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), citadas pela AP, o conflito com o Irão consumiu cerca de 65 por cento das reservas norte-americanas de interceptores Patriot, correspondentes a aproximadamente mil e 500 dos dois mil 330 mísseis disponíveis.

A escassez é particularmente relevante, devido às poucas alternativas disponíveis para interceptar os mísseis balísticos russos mais avançados, capazes de atingir velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som.

A França e a Itália dispõem do sistema SAMP/T e estão a desenvolver uma nova versão, SAMP/T NG, considerada mais capaz de interceptar mísseis balísticos, mas que ainda não foi testada em combate.

A NATO prevê também que a primeira fábrica europeia de mísseis Patriot comece a funcionar na Alemanha, em Setembro, podendo iniciar as entregas no princípio de 2027.

As forças norte-americanas na Europa enfrentam igualmente uma escassez considerada crítica de mísseis balísticos tácticos ATACMS, destinados a atingir alvos situados atrás das linhas inimigas.

Responsáveis europeus e da NATO têm alertado que a Rússia poderá adquirir capacidade para atacar países da Aliança até 2030, período durante o qual se espera que as reservas ocidentais de interceptores sejam recompostas.

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