Petróleo ultrapassa 90 dólares e aumenta pressão sobre a inflação mundial
Londres – O preço do petróleo Brent ultrapassou os 90 dólares por barril esta segunda-feira, aumentando a pressão sobre a inflação mundial e reforçando as expectativas de que os principais bancos centrais poderão manter ou voltar a elevar as taxas de juro.
A subida ocorre num contexto de agravamento das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irão, depois de novos ataques terem reacendido os receios de perturbações no abastecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz.
O Brent chegou a superar os 92 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano WTI também registou uma forte valorização. Os mercados estão particularmente atentos à possibilidade de novas interrupções no transporte de energia no Golfo.
O aumento dos preços do petróleo representa um novo desafio para os bancos centrais, que continuam a combater níveis de inflação considerados elevados. Energia mais cara tende a aumentar os custos de transporte, produção e distribuição de bens e serviços.
A situação poderá também afectar directamente os consumidores, sobretudo nos países dependentes da importação de combustíveis. O aumento dos custos energéticos reduz o poder de compra das famílias e pode pressionar as empresas a transferirem os encargos adicionais para os preços finais.
Os mercados financeiros reagiram com cautela ao agravamento das tensões. As bolsas registaram perdas, enquanto as taxas de rendimento das obrigações subiram em vários mercados, reflectindo o receio de que a inflação permaneça elevada durante mais tempo.
Nos Estados Unidos, os investidores passaram a atribuir maior probabilidade a uma subida da taxa de juro da Reserva Federal em Setembro. A perspectiva de uma política monetária mais restritiva poderá aumentar os custos de financiamento para empresas e consumidores.
A evolução do preço do petróleo continuará, por isso, a ser um dos principais factores a acompanhar pelos mercados internacionais nos próximos dias. Analistas consideram que uma escalada prolongada no Médio Oriente poderá agravar os riscos para o crescimento económico mundial.