Nepal contabiliza 903 mortos nas cheias enquanto prosseguem buscas
Kathmandu – O número de mortos provocados pelas devastadoras cheias que atingiram o Nepal subiu para 903, enquanto 4.247 pessoas continuam desaparecidas, segundo os dados oficiais divulgados esta segunda-feira pelas autoridades nepalesas.
As operações de busca e salvamento prosseguem em várias zonas afectadas, com as autoridades a recuperarem corpos que foram arrastados pelas águas para áreas situadas a jusante dos locais atingidos inicialmente pela enxurrada.
A catástrofe ocorreu na sequência do colapso de uma massa glaciar no Himalaia, que desencadeou uma poderosa corrente de água, lama, rochas e outros detritos. O fenómeno atingiu comunidades situadas ao longo dos rios e provocou graves danos em estradas, pontes, habitações e instalações hidroeléctricas.
Nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, as equipas de emergência concentram esforços na localização de centenas de trabalhadores de projectos hidroeléctricos que permanecem desaparecidos. Alguns poderão estar retidos em túneis bloqueados por lama e escombros.
As autoridades estimam que mais de 900 trabalhadores de instalações hidroeléctricas tenham ficado incomunicáveis depois das cheias. Em alguns locais, as equipas de resgate estão a utilizar máquinas pesadas e explosões controladas para remover os materiais que impedem o acesso aos túneis.
Mais de 10 mil pessoas já foram resgatadas, enquanto o número de afectados pela catástrofe ultrapassa 90 mil. As operações continuam, apesar das dificuldades provocadas pelo terreno montanhoso, pela lama e pelo risco de novos deslizamentos.
Entre os desaparecidos encontram-se cidadãos estrangeiros, incluindo peregrinos e trabalhadores que se encontravam na região próxima da fronteira entre o Nepal e o Tibete. As autoridades enfrentam igualmente dificuldades na identificação dos corpos, devido ao elevado número de vítimas e à necessidade de realizar testes de ADN.
A tragédia é considerada uma das mais graves catástrofes naturais registadas recentemente no Nepal. O Primeiro-Ministro Balendra Shah classificou as cheias como um desastre sem precedentes e afirmou que a dimensão total dos prejuízos ainda não pode ser determinada.
No lado chinês da fronteira, as autoridades do Tibete confirmaram 16 mortos e 546 desaparecidos. Somados aos dados nepaleses, o balanço regional é de 919 mortos e 4.793 desaparecidos.
As equipas nepalesas contam com apoio técnico da Índia e da China para as operações de salvamento, enquanto outros países também disponibilizaram assistência humanitária e equipamentos especializados. As autoridades continuam a apelar à população para evitar as zonas de risco e seguir as orientações das equipas de emergência.