CONFLITO
Trump ameaça atacar Omã se interferir nas negociações sobre o Estreito de Ormuz
17/08/2026 22h37
Washington — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou esta segunda-feira, 17 de Agosto, bombardear Omã caso o país interfira nos esforços norte-americanos para alcançar um acordo com o Irão e reabrir o Estreito de Ormuz, aumentando a tensão numa região já afectada pelo conflito entre Washington e Teerão.
A ameaça foi feita durante uma entrevista telefónica concedida por Trump ao jornalista Trey Yingst, da Fox News. Questionado sobre as negociações que Omã mantém com o Irão relativamente ao funcionamento do Estreito de Ormuz, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam atacar o país caso considerassem que Mascate estava a dificultar os seus objectivos.
A declaração ocorre num momento de forte tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais vias marítimas para o transporte mundial de petróleo.
O Irão e Omã têm mantido contactos para estabelecer um mecanismo que permita a circulação de navios através do estreito, enquanto Washington exige a reabertura da passagem marítima como parte das suas condições para um acordo com Teerão.
Segundo informações divulgadas pelas agências Reuters e Associated Press, o Irão afirmou que chegou a um entendimento com Omã sobre o mapa da rota de trânsito marítimo e que os dois países trabalham na finalização de uma declaração conjunta. A iniciativa preocupa Washington, que pretende garantir o livre acesso ao estreito e manter a pressão sobre o Governo iraniano.
Trump também voltou a exigir que o Irão aceite um acordo nos termos considerados necessários pelos Estados Unidos, insistindo que Teerão não deve obter armas nucleares. O Presidente norte-americano rejeitou ainda a possibilidade de prolongar o acordo provisório de 60 dias negociado anteriormente entre Washington e Teerão.
A ameaça contra Omã não é inédita. Em Maio, Trump já havia advertido que o país teria de seguir a posição norte-americana relativamente ao conflito ou poderia enfrentar uma resposta militar. A nova declaração, contudo, ocorre num contexto particularmente sensível, devido ao papel de Omã como mediador entre os Estados Unidos e o Irão.
Paralelamente, um alto responsável iraniano afirmou à Reuters que o Irão poderá adoptar uma postura militar "plenamente ofensiva" caso os esforços diplomáticos com Washington fracassem. A declaração surge depois de as negociações para alcançar um acordo permanente terem ficado bloqueadas.
A crise já está a afectar os mercados internacionais de energia. Os preços do petróleo subiram mais de dois dólares por barril na segunda-feira, impulsionados pelos receios de uma prolongada interrupção do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz.
A ameaça de Trump representa, assim, uma nova escalada no conflito e coloca Omã numa posição particularmente delicada. O país mantém relações com Washington, mas também desempenha um importante papel diplomático junto do Irão.
Um eventual ataque norte-americano contra território omanita poderia ampliar significativamente o conflito e provocar novas perturbações no comércio marítimo e no fornecimento mundial de energia.