DESASTRE
Inundação repentina mata cerca de 300 pessoas no Nepal
27/08/2026 12h53
Kathmandu – Pelo menos 289 pessoas morreram e mais de 1.300 continuam desaparecidas na sequência de uma inundação catastrófica que atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete, na China.
A catástrofe, descrita como uma das piores tragédias naturais dos últimos anos nos Himalaias, teve origem no colapso de uma enorme massa de gelo, rochas e sedimentos nos Himalaias, junto à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O fenómeno desencadeou uma poderosa torrente de água e lama que destruiu aldeias, pontes, estradas e centrais hidroeléctricas, afectando severamente diversas províncias nepalesas.
As equipas de salvamento prosseguem as buscas em condições extremamente difíceis, enquanto milhares de habitantes permanecem isolados.
A catástrofe ocorreu na manhã de quarta-feira, depois do colapso de uma grande massa de gelo, rochas e sedimentos de um glaciar situado nas montanhas dos Himalaias.
O desmoronamento provocou uma torrente de água, lama e detritos que desceu rapidamente pelos vales, destruindo aldeias, estradas, pontes e infra-estruturas energéticas ao longo do seu percurso.
As autoridades nepalesas indicaram que 644 turistas estrangeiros figuram entre os desaparecidos. Entre eles encontram-se cidadãos da Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Canadá e de outros países que visitavam a região para actividades de montanhismo, peregrinação religiosa ou turismo de aventura.
A província chinesa do Tibete também foi severamente afectada. Na zona de Gyirong, importante ponto de ligação comercial e turística entre a China e o Nepal, as cheias destruíram estradas e edifícios, obrigando à evacuação de milhares de pessoas. As autoridades chinesas receiam um aumento significativo do número de vítimas à medida que as operações de busca avançam.
No Nepal, helicópteros militares e equipas de emergência foram mobilizados para levar alimentos, medicamentos e outros bens essenciais às populações isoladas. Mais de cinco mil elementos das forças de socorro participam nas operações de resgate, embora muitos acessos permaneçam bloqueados devido aos deslizamentos de terra e à destruição das vias de comunicação.
Especialistas afirmam que o desastre evidencia os riscos crescentes associados ao degelo acelerado dos glaciares dos Himalaias. Estudos preliminares apontam que o colapso glaciar esteve na origem da inundação repentina, fenómeno cuja frequência poderá aumentar devido às alterações climáticas e ao aquecimento mais rápido das regiões montanhosas da Ásia.
Entretanto, as Nações Unidas e diversos governos anunciaram apoio humanitário às populações afectadas. As autoridades mantêm o alerta para a possibilidade de novas inundações e deslizamentos, uma vez que persistem acumulações instáveis de água e sedimentos nas zonas montanhosas situadas a montante dos rios afectados.
Os distritos de Chitwan, Nawalparasi Oriental, Dhading e Rasuwa figuram entre os mais afectados. Segundo os relatórios oficiais, centenas de residentes, agentes de segurança e turistas permanecem por localizar, aumentando os receios de que o número de vítimas continue a crescer nos próximos dias.