TARIFAS
Canadá anuncia tarifas retaliatórias até 50% contra os Estados Unidos
27/08/2026 13h27
Ottawa – O Governo canadiano anunciou um conjunto de medidas retaliatórias contra as mais recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, intensificando a disputa comercial entre os dois países. As novas contramedidas abrangem produtos norte-americanos avaliados em cerca de 20 mil milhões de dólares e deverão entrar em vigor a partir de 8 de Setembro.
A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, depois de Washington aplicar tarifas de 50 por cento sobre diversos produtos canadianos na sequência do fracasso das negociações comerciais entre os dois países. O Governo de Ottawa afirmou que responderá “dólar por dólar” às medidas adoptadas pela Administração norte-americana.
Segundo as autoridades canadianas, as novas tarifas afectarão mais de 700 produtos provenientes dos Estados Unidos, incluindo aço, alumínio, produtos lácteos, equipamentos agrícolas, electrodomésticos, papel, electrónica, mobiliário, vestuário e produtos do mar. Algumas categorias poderão enfrentar taxas até 50 por cento.
O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, afirmou que as medidas têm como principal objectivo proteger as empresas nacionais e reduzir a dependência das importações norte-americanas. O Executivo canadiano sublinhou que as tarifas não visam aumentar receitas fiscais, mas defender os interesses económicos do país.
A escalada das tensões comerciais ocorreu após o Presidente norte-americano, Donald Trump, endurecer a sua posição em relação ao Canadá e ameaçar novas tarifas sobre veículos, peças automóveis e outros sectores estratégicos. Em resposta, Ottawa acusou Washington de tentar enfraquecer importantes indústrias canadianas, incluindo os sectores automóvel, siderúrgico e do alumínio.
Além das tarifas, o Governo canadiano anunciou programas de apoio financeiro destinados às empresas e trabalhadores afectados pela disputa comercial. As autoridades admitem que a tensão poderá prolongar-se durante vários meses, uma vez que não existem negociações formais em curso entre os dois países.
Analistas consideram que o agravamento da guerra comercial poderá afectar cadeias de abastecimento integradas na América do Norte e provocar aumentos de preços para consumidores e empresas de ambos os lados da fronteira. Apesar disso, o Governo canadiano garante que continuará a defender os interesses nacionais enquanto procura diversificar as suas relações comerciais com outros mercados internacionais.