Irão fustiga alvos militares dos EUA em vários países do Médio Oriente
Teerão – O Irão lançou, nas primeiras horas desta quarta-feira, ataques com mísseis e drones contra posições norte-americanas e instalações utilizadas pelos Estados Unidos em vários países do Médio Oriente, em resposta à nova vaga de ataques militares norte-americanos contra alvos iranianos.
As autoridades iranianas afirmaram que a resposta teve como alvos, posições militares dos Estados Unidos na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Iraque. A Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou os ataques e prometeu consequências severas para Washington.
Na Jordânia, o Exército anunciou ter interceptado 10 mísseis balísticos lançados pelo Irão. As autoridades jordanianas indicaram ainda que outros três projécteis caíram em zonas remotas, sem confirmação imediata de vítimas ou danos significativos.
O Irão também afirmou ter atacado instalações norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Iraque, incluindo a região de Erbil. Contudo, os Estados Unidos não confirmaram que todos os ataques tenham atingido as instalações militares visadas.
A resposta iraniana ocorreu depois de os Estados Unidos terem realizado uma nova série de ataques contra alvos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica. Segundo o Comando Central norte-americano, foram atingidos sistemas de defesa aérea, radares, meios marítimos, instalações relacionadas com colocação de minas e centros de comunicações.
Teerão acusa ainda as forças norte-americanas de terem atingido uma festa de casamento na localidade de Kuhestak, na província de Hormozgan. As autoridades iranianas dizem que o ataque provocou mortos e dezenas de feridos. Washington afirmou que está a analisar as informações e reiterou que as suas forças não têm como alvo civis.
A nova escalada representa o mais intenso confronto directo entre os Estados Unidos e o Irão em várias semanas, depois de um período de relativa redução das hostilidades. O conflito voltou a intensificar-se sobretudo em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
A situação no estreito continua a afectar a navegação comercial. Cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente passa normalmente por esta via marítima, fazendo com que qualquer perturbação provoque imediatamente preocupações nos mercados internacionais.
A tensão também está a provocar efeitos económicos. O preço do petróleo Brent aproximou-se dos 95 dólares por barril, enquanto os mercados financeiros continuam a reagir ao risco de uma interrupção prolongada do transporte marítimo na região.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, já tinha advertido Teerão de que qualquer retaliação contra os Estados Unidos seria respondida com ataques de maior intensidade. Apesar da ameaça, o Irão avançou com a operação militar, aumentando o risco de uma nova escalada regional.
Os ataques iranianos colocam igualmente os aliados árabes de Washington numa posição mais vulnerável, uma vez que várias instalações militares norte-americanas na região estão localizadas ou são utilizadas em cooperação com forças dos países anfitriões.
A intensificação dos combates aumenta os receios de uma guerra regional mais ampla, ao mesmo tempo que esforços diplomáticos de vários países procuram evitar uma nova escalada entre Washington e Teerão.