Ataques no Golfo agravam tensão no Médio Oriente
Dubai — Novos ataques contra a Arábia Saudita e navios no Estreito de Ormuz agravaram este domingo a tensão no Médio Oriente e aumentaram os receios sobre o fornecimento mundial de petróleo. Um importante oleoduto saudita ficou inoperacional depois de um ataque com drones, enquanto um navio iraniano foi atingido no estreito, provocando pelo menos uma morte.
O oleoduto saudita Este-Oeste é considerado uma infra-estrutura estratégica porque permite transportar petróleo para a costa do Mar Vermelho, reduzindo a dependência das rotas marítimas através do Golfo. A interrupção do seu funcionamento ameaça afectar uma parcela significativa das exportações mundiais.
Segundo informações divulgadas neste domingo, a paralisação prolongada do oleoduto poderá colocar em risco cerca de 4% do fornecimento mundial de petróleo. As reservas existentes em Yanbu poderão, contudo, permitir que a Arábia Saudita mantenha as exportações durante algum tempo.
O Estreito de Ormuz continua no centro da crise. A passagem marítima é uma das principais rotas utilizadas pelos petroleiros para transportar petróleo e gás provenientes dos países do Golfo para os mercados internacionais.
Um navio iraniano também foi atingido no estreito, tendo os relatos iniciais indicado a morte de uma pessoa e ferimentos em outras quatro. O incidente aumentou os receios de que o conflito possa atingir directamente o transporte marítimo internacional.
Os ataques já tiveram repercussões nos mercados energéticos. O preço do petróleo ultrapassou os 100 dólares por barril, enquanto o preço do gasóleo nos Estados Unidos atingiu níveis recorde, segundo informações citadas pela Reuters.
As negociações diplomáticas previstas em Omã entre o Irão e países do Golfo foram adiadas. Teerão indicou que a reabertura do Estreito de Ormuz dependerá de concessões por parte dos Estados Unidos, aumentando a incerteza sobre a duração da crise.
A evolução dos acontecimentos preocupa os governos e os mercados internacionais, uma vez que uma interrupção prolongada das rotas de transporte poderá provocar novos aumentos dos preços da energia e afectar o comércio mundial.