Tensão entre Rússia e países da NATO aumenta após incidentes aéreos
Vilnius – A tensão entre a Rússia e vários países membros da NATO aumentou nos últimos dias, na sequência de uma série de incidentes envolvendo drones, aeronaves militares e actividades navais nas proximidades do território da Aliança Atlântica.
Os acontecimentos levaram governos europeus a reforçar medidas de vigilância e defesa no flanco oriental da NATO.
Um dos episódios mais recentes ocorreu na Lituânia, onde um caça italiano integrado na missão de policiamento aéreo da NATO abateu um drone que entrou no espaço aéreo lituano.
Segundo as autoridades, o aparelho transportava material explosivo e sobrevoou uma zona próxima de áreas habitadas antes de ser interceptado.
O incidente provocou uma reacção imediata das autoridades lituanas e da NATO, que reforçaram a vigilância aérea na região do Báltico.
A origem exacta do drone continua a ser objecto de investigação, embora as autoridades tenham indicado que o aparelho terá entrado na região a partir da Bielorrússia.
Na mesma região, um navio de guerra russo lançou dois foguetes de sinalização nas proximidades de um helicóptero militar dinamarquês Fennec que realizava uma missão de reconhecimento em águas internacionais.
A Dinamarca classificou o incidente como perigoso e convocou o embaixador russo para prestar esclarecimentos.
A Polónia também reforçou a segurança junto dos principais postos fronteiriços com a Ucrânia depois de recentes ataques russos com drones nas proximidades da fronteira.
Varsóvia começou a instalar estruturas de protecção e postos de observação destinados a proteger militares, funcionários fronteiriços e infra-estruturas estratégicas.
A situação ocorre enquanto a Rússia continua a realizar ataques contra a Ucrânia. Hoje, drones russos atingiram um autocarro de passageiros na região de Dnipropetrovsk, causando cinco mortos e pelo menos sete feridos.
Outros ataques atingiram uma composição ferroviária e infra-estruturas ferroviárias em diferentes regiões ucranianas.
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou hoje que os recentes incidentes envolvendo drones, sabotagem e ataques cibernéticos fazem parte de um quadro mais amplo de ameaças à segurança europeia.
Propôs, por isso, a criação de um mecanismo europeu de segurança destinado a coordenar respostas a ameaças que possam não atingir imediatamente o nível de uma agressão militar convencional.
A NATO mantém, contudo, a posição de que não procura um confronto directo com Moscovo.
A Aliança considera a Rússia a principal ameaça directa à segurança dos seus membros, mas afirma igualmente que pretende manter canais de comunicação com as autoridades russas para reduzir os riscos de incidentes e evitar uma escalada militar.
Os acontecimentos dos últimos dias demonstram que a segurança do flanco oriental da NATO continua a ser uma das principais preocupações dos governos europeus.
A repetição de incidentes aéreos e marítimos poderá levar a novos reforços militares e a medidas adicionais de protecção das fronteiras, embora não exista indicação de que a NATO tenha decidido iniciar um confronto militar directo com a Rússia.