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Trump critica reforço das relações entre o Canadá e a União Europeia

Trump critica proposta de reforço das relações entre o Canadá e a União Europeia
Trump critica proposta de reforço das relações entre o Canadá e a União Europeia Imagens: DR

Redacção

Publicado às 07h56 18/09/2026

Washington — O Presidente norte-americano, Donald Trump, criticou a proposta de reforço das relações entre o Canadá e a União Europeia e ameaçou impor tarifas elevadas ou reduzir o comércio com o bloco europeu, caso considere que a iniciativa constitui um acto hostil contra os Estados Unidos.

A declaração foi feita na quarta-feira, 16 de Setembro, depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter defendido uma nova forma de associação entre o Canadá e a União Europeia.

Trump classificou como “ridícula” a possibilidade de o Canadá tornar-se o primeiro membro associado da União Europeia. O Presidente norte-americano afirmou que, caso considere a iniciativa contrária aos interesses dos Estados Unidos, poderá aplicar “tarifas muito pesadas” aos produtos europeus ou interromper o comércio com a Europa em vários sectores.

A proposta foi apresentada por Ursula von der Leyen na quarta-feira, durante o seu discurso anual sobre o Estado da União Europeia, realizado na presença do Primeiro-Ministro canadiano, Mark Carney. A presidente da Comissão Europeia defendeu o aprofundamento da cooperação com o Canadá num contexto de crescente tensão comercial e estratégica entre os países ocidentais.

A Comissão Europeia esclareceu que a proposta ainda precisa de ser desenvolvida e aprovada pelos Estados-membros antes de avançar. O porta-voz da instituição, Olof Gill, afirmou que o reforço da parceria com o Canadá não constitui uma iniciativa dirigida contra qualquer outro país, mas pretende aumentar a capacidade de cooperação entre os parceiros europeus e canadianos.

Em Estrasburgo, França, Mark Carney defendeu esta quinta-feira uma aproximação mais estreita entre o Canadá e a União Europeia. Perante o Parlamento Europeu, o Primeiro-Ministro canadiano afirmou que os dois lados podem cooperar na defesa dos mercados, das democracias e do Estado de Direito, ao mesmo tempo que procuram reduzir vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos.

Carney também apontou áreas como minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial, energia, espaço e sistemas de pagamentos como possíveis sectores de cooperação. O dirigente canadiano referiu ainda a possibilidade de facilitar oportunidades para jovens trabalharem, estudarem e viverem no Canadá e na União Europeia.

A proposta europeia surge num período de deterioração das relações entre Ottawa e Washington. O Canadá e os Estados Unidos estão envolvidos numa disputa comercial que já resultou na aplicação de tarifas sobre dezenas de milhares de milhões de dólares em trocas comerciais transfronteiriças. Carney tem procurado, paralelamente, ampliar as relações económicas e estratégicas do Canadá com outros parceiros.

Na França, o ministro para a Europa, Benjamin Haddad, afirmou que os Estados Unidos não têm poder para vetar as escolhas políticas e geopolíticas da União Europeia. A Comissão Europeia também rejeitou a caracterização da proposta como um acto hostil, enquanto diferentes diplomatas europeus manifestaram opiniões divergentes sobre a iniciativa e sobre a forma que uma eventual associação do Canadá poderia assumir.

A eventual condição de membro associado não significaria que o Canadá passaria a ser membro pleno da União Europeia. A proposta ainda não tem uma definição jurídica final e deverá ser discutida entre os Estados-membros e o Governo canadiano. Um eventual novo quadro de relações poderá abranger comércio, segurança, energia, tecnologia, defesa e outros sectores considerados estratégicos.

O desenvolvimento da proposta deverá ser acompanhado durante as próximas negociações entre Ottawa e Bruxelas. Enquanto o Canadá manifesta abertura para aprofundar a cooperação com a Europa, Trump mantém a possibilidade de adoptar medidas comerciais contra a União Europeia caso considere que a aproximação entre o bloco e o Canadá prejudica os interesses norte-americanos.

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