China mantém posição firme contra as sanções dos EUA ao Irão
04/09/2026 07h40
Pequim — A China exigiu, na quinta-feira, aos Estados Unidos que levantem as sanções impostas a empresas e cidadãos chineses por alegada participação em actividades relacionadas com o comércio petrolífero do Irão, reafirmando a oposição de Pequim ao que considera serem medidas unilaterais e contrárias às regras do comércio internacional.
O Ministério do Comércio chinês declarou que Washington deve “corrigir imediatamente” as suas medidas e pôr termo às sanções dirigidas contra entidades chinesas. Pequim considera que os Estados Unidos estão a aplicar a sua legislação de forma extraterritorial, procurando impor restrições a empresas que desenvolvem actividades comerciais fora do território norte-americano.
A posição chinesa surge numa altura em que a Administração de Donald Trump intensificou a pressão económica sobre Teerão, procurando reduzir as receitas provenientes das exportações de petróleo e limitar os canais comerciais utilizados pelo Irão para contornar as sanções norte-americanas.
A China mantém uma relação económica particularmente importante com o sector petrolífero iraniano. O país asiático continua a ser o principal destino do petróleo iraniano, proporcionando a Teerão uma das principais fontes de receitas externas num período em que as sanções norte-americanas procuram restringir o acesso do Irão aos mercados internacionais.
Pequim considera que o comércio normal entre a China e o Irão não deve ser condicionado por medidas adoptadas unilateralmente por Washington. As autoridades chinesas têm defendido que as empresas nacionais devem poder desenvolver actividades económicas legítimas em conformidade com a legislação chinesa e com as regras internacionais.
O confronto sobre as sanções acrescenta uma nova dimensão às já tensas relações entre Pequim e Washington. Para além da questão iraniana, os dois países mantêm divergências sobre comércio, tecnologia, segurança e acesso aos mercados, enquanto procuram evitar que os conflitos económicos provoquem uma deterioração ainda maior das relações bilaterais.
Washington, por seu lado, procura aumentar o custo económico para os parceiros comerciais do Irão. A estratégia inclui sanções secundárias destinadas a empresas e instituições financeiras de outros países que mantenham relações comerciais com Teerão, aumentando a pressão sobre os principais compradores do petróleo iraniano.
A aplicação destas medidas contra empresas chinesas representa um desafio particularmente sensível para os Estados Unidos. A China possui uma posição central no comércio petrolífero iraniano e dispõe de capacidade económica para manter relações comerciais com Teerão mesmo perante a ameaça de sanções norte-americanas.
Analistas consideram, contudo, que Pequim procura equilibrar o apoio económico ao Irão com a necessidade de evitar uma confrontação directa com Washington. A China tem criticado as sanções e mantido relações comerciais com Teerão, mas procura igualmente preservar os seus próprios interesses económicos e diplomáticos numa conjuntura internacional marcada pelo conflito no Médio Oriente.
A questão petrolífera assume particular importância porque as exportações de crude constituem uma das principais fontes de receitas do Irão. Segundo informações recentes, a pressão norte-americana já contribuiu para uma redução acentuada das exportações iranianas, aumentando as dificuldades económicas enfrentadas por Teerão.
Para a China, a disputa também envolve o princípio de não permitir que Washington determine quais as relações comerciais que empresas chinesas podem manter com outros países. Pequim tem reiterado que protegerá os direitos e interesses legítimos das suas empresas sempre que estas sejam alvo de medidas consideradas injustificadas.
A posição chinesa poderá, por isso, transformar as sanções relacionadas com o Irão num novo ponto de tensão nas relações sino-americanas. À medida que Washington aumenta a pressão sobre Teerão e sobre os seus parceiros comerciais, Pequim demonstra que não pretende aceitar passivamente medidas norte-americanas que afectem directamente empresas e interesses chineses.