TARRAFAL
Familiares de presos do campo do Tarrafal subscrevem petição
13/09/2026 13h52
Luanda - Familiares de presos no campo de concentração do Tarrafal, após a reabertura, em 1974, no período de transição política em Cabo Verde, subscreveram uma petição em que se queixam de omissão na história do espaço.
“A carta aponta para uma investigação histórica recentemente publicada, segundo a qual dezenas de cidadãos cabo-verdianos foram detidos e enviados para o Campo do Tarrafal, entre Dezembro de 1974 e Julho de 1975, sem condenação judicial e, em muitos casos, sem acusação formal”, lê-se num comunicado da Presidência da República cabo-verdiana, divulgado na sexta-feira.
De acordo com a Lusa, a Presidência divulgou a petição depois de ter recebido os subscritores.
As detenções aconteceram já depois da libertação dos presos do regime colonial português, que ali encarcerou mais de 500 pessoas, nas quais 36 morreram (32 portugueses, dois guineenses e dois angolanos), tal como documentado no agora Museu da Resistência, num espaço que está a ser candidatado a Património da Humanidade.
A petição queixa-se da omissão de referências aos presos entre 1974 e 1975 e a esta parte da história do campo, indicando que “a memória histórica não pode ser selectiva nem construída sobre silêncios”, segundo o comunicado da Presidência.
O Chefe de Estado cabo-verdiano, José Maria Neves, assumiu o compromisso de “encaminhar a exposição” às instituições responsáveis pelo museu e conteúdos “para que avaliem (…) a inclusão de informação contextualizada sobre as utilizações do espaço no período de transição política (1974-1975)”.
O Presidente de Cabo Verde defendeu “espaços de diálogo técnico e museológico”, face à petição pública.