ARMAMENTO
Governo dos EUA confirma instalação de armas em órbita espacial
16/09/2026 19h26
Washington – Os Estados Unidos confirmaram oficialmente, pela primeira vez, que possuem armas colocadas em órbita terrestre, numa revelação que está a provocar reacções internacionais e a reacender o debate sobre a militarização do espaço.
A declaração foi feita pelo secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, durante uma conferência dedicada aos sectores aeroespacial e da defesa.
Segundo as autoridades norte-americanas, os sistemas estão destinados à defesa de infra-estruturas espaciais críticas e à protecção das forças militares contra eventuais ameaças provenientes de adversários. Contudo, Washington não divulgou detalhes técnicos sobre a natureza das armas, a sua capacidade operacional nem a data exacta da sua colocação em órbita.
A revelação representa uma mudança significativa na política de comunicação do Pentágono, que durante décadas evitou confirmar publicamente a existência de armamento espacial. Responsáveis da Força Espacial dos Estados Unidos afirmam que o reconhecimento público destas capacidades tem igualmente um efeito dissuasor perante potenciais rivais estratégicos.
A China e a Rússia reagiram criticamente ao anúncio. Pequim advertiu para os riscos de uma nova corrida armamentista no espaço, enquanto Moscovo reiterou que a órbita terrestre deveria permanecer livre de armamentos. Ambos os países acusam Washington de contribuir para o aumento das tensões num domínio que tradicionalmente era apresentado como destinado a fins pacíficos.
Especialistas em segurança internacional observam que o Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíbe a colocação de armas nucleares e outras armas de destruição maciça no espaço, mas não impede explicitamente a instalação de determinados tipos de armamento convencional ou sistemas de controlo espacial. Esta lacuna jurídica tem sido alvo de crescente debate entre as grandes potências.
Analistas consideram que a confirmação norte-americana poderá acelerar investimentos militares espaciais por parte de outras nações. O receio é que uma maior presença de armamento em órbita aumente o risco de confrontos que possam comprometer satélites utilizados para comunicações, navegação, observação meteorológica e serviços financeiros à escala mundial.
Embora os Estados Unidos não tenham especificado quais os sistemas actualmente em funcionamento, fontes ligadas ao sector da defesa indicam que as capacidades poderão incluir meios destinados a neutralizar, bloquear ou interferir com satélites considerados hostis, reforçando a importância estratégica do espaço como novo domínio de competição militar entre as grandes potências.