GUERRA

Lula da Silva afirma que Brasil não cabe no quintal de ninguém

Presidente da República Federativa do Brasil, Lula da SilvaImagem: DR

23/09/2026 10h25

Luanda - O Presidente do Brasil, Lula da Silva, disse, esta terça-feira, em Nova Iorque, que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", e advertiu sobre tendências hegemónicas.

Ao discursar na octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula da Silva sublinhou que "na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência do mundo é inescapável, sobretudo no momento de recrudescimento hegemónico. O Brasil não cabe no quintal de ninguém".

"Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não podem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos", afirmou.

Referiu que no dia 04 de Outubro próximo haverá eleições gerais no Brasil, sublinhando que o processo eleitoral é transparente e competitivo, numa referência às urnas electrónicas e a justiça eleitoral brasileira, e com ampla liberdade de expressão.

"Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos as redes de desinformação que pretende desvirtuar o debate público durante a campanha", acusou o Presidente brasileiro.

O chefe de Estado brasileiro defendeu a soberania das nações, e endereçou críticas aos Estados Unidos da América, dizendo que o seu país não subestima o tema da segurança pública, e "está preparado para enfrentar organizações criminosas".

Lula da Silva criticou o Conselho de Segurança das Nações Unidas, sublinhando que "somos todos reféns de um imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", e considerou que a credibilidade da ONU "nunca esteve tão baixa" e existe uma "profunda crise de liderança".

Presidente brasileiro afirma que ONU está a falhar na sua missão 

Por outro lado, Lula da Silva considerou que as Nações Unidas estão a falhar na sua missão de evitar mais uma guerra mundial, e defendeu o regresso da organização às origens como templo da paz.

“O mundo atravessa uma era recorde de conflitos armados e guerras, desde a Segunda Guerra Mundial, reflectindo o fracasso da política”, disse o estadista brasileiro, defendendo que a diplomacia é a única opção para resolver desafios globais.

Lula da Silva, o primeiro Chefe de Estado a intervir nos trabalhos da Assembleia Geral da ONU, falou do elevado registo de conflitos em 2025, e afirmou que a guerra é a falência total da política.

Salientou que existe um sentimento de indignação com os ataques generalizados ao multilateralismo, em várias partes do globo, e observou que liderar é conciliar o interesse da pátria com o interesse de toda a humanidade.

Para o estadista brasileiro, este é o momento mais crítico das Nações Unidas, declarando que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa, pois a sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais, nunca foi tão pequena.

Relativamente às mudanças climáticas, frisou que na era da desinformação obscurantistas resistem às certezas da ciência e que é possível aliar desenvolvimento económico com protecção ambiental.

Recordou que a ONU nasceu sob o signo da esperança e, durante oito décadas, contribuiu com a descolonização, promoveu os direitos humanos, apoiou o desenvolvimento sustentável, protegeu migrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa.

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