Supremo Tribunal de Israel reintegra partidos árabes à corrida eleitoral
Jerusalém — O Supremo Tribunal de Israel anulou esta sexta-feira a decisão da Comissão Eleitoral Central que tinha impedido duas listas políticas de maioria árabe de participarem nas eleições parlamentares previstas para este mês.
Os juízes decidiram por unanimidade reintegrar a Ra'am, também conhecida como Lista Árabe Unida, e a Lista Conjunta, uma aliança que reúne Hadash, Ta'al e Balad. A decisão mantém igualmente na corrida o deputado Ofer Cassif.
A Comissão Eleitoral Central tinha decidido, em Setembro, excluir as duas listas e alguns candidatos individuais. A decisão gerou contestação e foi remetida para o Supremo Tribunal, que avaliou se existiam fundamentos legais suficientes para impedir a participação eleitoral.
O tribunal decidiu ainda, por sete votos contra dois, reintegrar Cassif, deputado judeu da coligação Hadash. Os dois juízes que votaram contra sustentaram que o político apoiava a luta armada contra o Estado de Israel, argumento que, na sua interpretação, justificaria a exclusão.
O líder do partido Balad, Sami Abu Shehadeh, acabou por abandonar a corrida eleitoral depois de os juízes indicarem que uma maioria do tribunal provavelmente apoiaria a sua exclusão. O processo estava relacionado com declarações suas sobre os ataques de 7 de Outubro de 2023.
As eleições parlamentares estão marcadas para 27 de Outubro e serão as primeiras em Israel desde o ataque liderado pelo Hamas e a subsequente guerra em Gaza. Os cidadãos palestinianos de Israel representam cerca de 20% da população do país.